sábado, 20 de novembro de 2010

Turim integra ferrovia à área urbana

17/11/2010 - Brasil Econômico

A cidade italiana de Turim enterrou os trens que cruzavam a região central para superar a barreira física dos trilhos e aumentar a integração entre os bairros. "O transporte se transformou num instrumento de mudança da imagem da cidade", diz Franco Corsico, secretário de Desenvolvimento de Turim. Previsto para ser concluído no próximo ano, o projeto já serve de inspiração para outras cidades no mundo, como São Paulo.

Foram revitalizados 12 quilômetros de ferrovia, por onde passam a linha internacional de alta velocidade, trens regionais, metropolitanos e o metrô. Cerca de 60% do trecho é formada por túneis, que foram cobertos por uma avenida que liga o Norte ao Sul da cidade. "Nas áreas em que não há túneis investimos no entorno e melhoramos a infraestrutura de transporte", diz Corsico.

O projeto surgiu nos anos 1980 para atender à indústria automobilística da região, mas foi suspenso em virtude da crise que atingiu a Itália. Em 1993 a ideia foi retomada, dessa vez com o objetivo de atender ao transporte urbano e dar um incentivo ao setor imobiliário, que estava em crise.

"Quando começamos, o setor estava em dificuldade e não poderíamos esperar investimentos privados, por isso as despesas com infraestrutura pública foram pagas pelo estado", diz Corsico.

O projeto foi integrado ao plano diretor da cidade e envolveu, além do investimento na malha ferroviária, a revitalização de espaços públicos. "O projeto é orgânico e teve adaptações sucessivas no decorrer desse período", diz Corsico. A intenção inicial da cidade era concluir as obras em 2006, a tempo para a Olimpíada de Inverno que ocorreu na cidade.

Mas antes da entrega, os planos mudaram, com a inclusão e revitalização de um córrego e novas áreas públicas, o que adiou a data de conclusão para 2011, quando Turim celebra os 150 anos de unificação italiana. A reformulação também elevou o custo de € 1,3 bilhão orçado inicialmente para € 1,6 bilhão.

De acordo com Corsico, o longo tempo de execução das obras se deve à necessidade de manter o sistema de transporte ativo. "Enquanto pessoas trabalham de um lado, trens passam do outro, o que dificulta a execução do projeto." Atualmente, 50% das linhas de trem estão em funcionamento, segundo o secretário.

Segundo Corsico, além de melhorar o transporte urbano, com a inclusão de uma nova avenida na infraestrutura urbana, o projeto também possibilitou corrigir diferenças de desenvolvimento entre alguns bairros, antes divididos. "Construímos espaços públicos nessas áreas, voltados a atender os interesses dos moradores dos dois lados", diz.

Setor privado

Além do estado, o setor privado investiu € 3 bilhões em projetos imobiliários, que envolvem residências e prédios comerciais. O setor privado ficou responsável por revitalizar 800 mil metros quadrados do total e 2,1 milhões de metros quadrados da área abrangida pela espinha dorsal do projeto.

Os projetos residenciais responderam por 48% do total de área disponível para novos empreendimentos, boa parte dela oriunda de instalações industriais desativadas.
 

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