sábado, 14 de julho de 2012

Esvaziando o avião

13/07/2012 - Revista Ferroviária

A demanda de transporte tem surgido como questão central nos debates do congresso Highspeed, que se realiza esta semana na Filadélfia. Em vários países as PPPs estão se multiplicando, até mesmo na China. E quando se fala em participação privada, o assunto número de passageiros vem para o primeiro plano.  Nesta quinta-feira (12/07), segundo dia do congresso, tratou-se do TGV Est, uma linha de 300 km, inaugurada em 2007, entre Paris e Estrasburgo, na fronteira entre a França e a Alemanha, para velocidade de 320 km/h. O título da palestra era “Competição Ar-Trilho na Linha Leste de Alta Velocidade Francesa”, e pelos números apresentados não deve demorar muito para a Air France suspender os voos, como suspendeu para Bruxelas depois do Thalys. Em dezembro de 2011, 87% do mercado partilhado entre o avião e o trem, ou 1,8 milhão de passageiros/ano, contando passageiros entre Paris e Estrasburgo e vice-versa, estavam no trem, com tendência a aumentar. Antes da inauguração, os passageiros se dividiam em partes iguais entre os dois modos de transporte.

Dos passageiros ferroviários, 1,5 milhão/ano surgiu depois da alta velocidade, migrando do avião para o trem ou simplesmente aparecendo como demanda nova. Este fenômeno da demanda induzida pelo trem também se verifica em qualquer linha de alta velocidade que se inaugure. É o que os espanhóis chamam de “tráfego de sogras”, pessoas que habitualmente não viajam, porque não gostam de avião nem de estrada, mas que não se incomodam em viajar de trem. Nas palestras do Highspeed, surgiu como regra de ouro que 30% da demanda de cada linha nova aparece do nada.

O tempo de viagem entre Paris e Estrasburgo é mais do dobro no trem: 2h20 contra 1h05 no avião. A linha de alta velocidade na verdade ainda não está concluída, e faltam 100 km na chegada a Estrasburgo, onde o trem trafega em linha convencional.  Em compensação a passagem de trem é bem mais barata: para uma reserva com 30 dias de antecedência, o bilhete de TGV sai a 70 euros ida e volta em segunda classe e a 125 euros por avião, também ida e volta. Há 16 frequências diárias de trem e 10 de avião.

Chantal Carnel, da SNCF, terminou a apresentação com um recado para os ambientalistas:

“O 1,5 milhão de passageiros transferidos do avião para o trem depois da inauguração da linha de alta velocidade significam uma redução anual de 114 mil toneladas de emissão de CO2, que por sua vez equivalem 330 mil viagens aéreas de ida e volta entre Paris e a Filadélfia, onde se realiza este congresso”.

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