domingo, 9 de setembro de 2012

Guangzhou é a primeira Cidade Global a limitar a compra de carros novos.

06/09/2012 - Mobilidade Sustentável

Enquanto as montadoras estão derrapando  para entender o novo conceito de Mobilidade Urbana, as cidades mais inteligentes  vem tomando atitudes agressivas para restrição do uso do automóvel, no entanto, Guangzhou foi além, no que o jornal New York Times comparou o impacto da atitude como: “seria o mesmo que se Los Angeles ou Detroit  restringissem a posse de um veículo”.  Sem dúvida, trata-se de uma atitude corajosa, Guangzhou é a terceira maior cidade da China, com mais de 12 milhões de Habitantes, maior até  do que a cidade de São Paulo e é também um dos maiores centros de produção de automóveis da China.
Guangzhou é considerada uma Cidade Global, conceito criado por urbanistas para designar quando uma cidade é um ponto importante estratégico para o sistema econômico de finanças e comércio do mundo.
A cidade decidiu colocar a qualidade de vida acima do crescimento econômico de curto prazo e acredita que  a medida, entre outras de restrição ao uso do automóvel e motocicletas no centro da cidade , vai promover a limpeza do ar e reduzir os custos com saúde pública, além de reduzir o custo “congestionamento” que é pior para o desenvolvimento da cidade do que o “desaceleramento da economia” , a idéia é descentralizar a venda em cidades já saturadas, obrigando a indústria a procurar novos mercados de forma mais  sustentável, com isso, o governo vai apoiar a indústria em outros setores onde os impactos negativos para a mobilidade nas cidades sejam menores, ainda na reportagem do New York Times o vice-diretor de planejamento da cidade de Guangzhou acrescenta: “Para que precisamos de PIB se não temos saúde?”
 Sistema de Transportes
O Governo de Guangzhou vem investindo pesado na expansão da rede de Metrô. A primeira linha foi inaugurada em 1997, de lá para cá, foram  oito linhas, que se estendem por 236km, o objetivo é chegar a 500km de extensão, divididos em 15 linhas, até 2020. Como suporte para as  linhas de Metrô, a cidade investiu também em cerca de 30 km de corredores de ônibus no sistema BRT ( Bus Rapid Transit), com capacidade para transportar 1 milhão de pessoas diariamente, tornando-se a segunda  maior operação de sistema de BRT do mundo,  depois apenas  do Transmilênio de Bogotá na Colômbia.
Guangzhou já tem 85% da frota de Transportes públicos abastecidos à GLP  e é considerado a maior rede do mundo, além disso,  tem mais de  16.000 táxis abastecidos pelo Gás.
A Cidade possui uma das maiores redes de Bicicletas públicas do mundo com cerca de 30.000 bicicletas.
 
Recentemente iniciou uma discussão sobre a implantação do pedágio urbano, tendo como base as cidades de Hong Kong ( 120km) e o sucesso do sistema em Cingapura.
 
Em janeiro de 2007, o governo municipal proibiu motocicletas em áreas urbanas. Motociclistas que desrespeitam a lei, tem seus veículos apreendidos e segundo o governo, a medida tem reduzido sistematicamente o nível de congestionamento.
 
Guangzhou possui uma grande malha de trens suburbanos e no final de 2009 foi inaugurado a primeira linha de  trem bala  de Wuhan-Guangzhou, cobrindo 980km a uma velocidade média de 320 km/h e em janeiro de 2011, foi inaugurado a linha  Guangzhou-Zhuhai .
 
Missão Técnica de Mobilidade Urbana em Guangzhou
 
Com toda a preocupação em seu sistema de transportes, Guangzhou é hoje centro de delegações técnicas  de Mobilidade Urbana do mundo todo.
Para conhecer de perto os impactos da Política de transportes nas cidades asiáticas,  a Green Mobility vai liderar em novembro a 6ª Missão técnica de Mobilidade Urbana na Ásia e Guangzhou será uma das cidades visitadas, além de Hong Kong e Cingapura.

Maiores informações: contato@mobilidadeverde.org ( http://www.greenmobility.wordpress.com ) 
Por Lincoln Paiva às 13h26

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02/09/2012
Por uma nova política mais sustentável de desenvolvimento social e urbano na cidade de São Paulo.

Prolongamento da Av. Chucri Zaidam
Na última semana do mês de agosto,  acompanhei a 2ª audiência pública promovida pelo CADES, Conselho Municipal  do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em São Paulo, cujo  objetivo foi colher subsídios  da população sobre as questões relacionadas ao licenciamento ambiental do prolongamento da avenida Chucri Zaidan até avenida João Dias, incluindo a nova ponte Burle Marx. Na ocasião foram apresentados  os estudos de Impacto ambiental e o traçado estrutural da via.
Para debater a questão,  que vai mudar a vida ou no mínimo vai alterar a qualidade de vida  de cerca de 120 mil moradores daquela região e ainda atrair outras milhares de pessoas para aquele local, estavam presentes membros do CADES, Secretaria do Verde e meio Ambiente de São Paulo e a empreendedora da obra.  Para o debate foram inscritos (as inscrições eram abertas ao público presente) algumas ONGs, uma senhora moradora de uma favela  local (que provavelmente deverá ser removida) uma bióloga , um comerciante e um morador que se queixou que ficou sabendo daquele encontro por uma mera casualidade (segundo ele mesmo) entre outros poucos  interessados. Ocorre é que as comunidades locais são geralmente  pouco articuladas, não se reúnem com antecedência , não fazem debates com especialistas  e perdem muito tempo com perguntas fora do contexto da reunião, desperdiçando invariavelmente tempo de debate. O EIV-Rima esteve a disposição dos moradores no site da prefeitura, eu mesmo liguei na prefeitura para conseguir o link e baixar os estudos com antecedência, pelo visto, provavelmente ninguém tinha feito isso, nem mesmo os  proprietários de imóveis privados e comerciais que poderão ser desapropriados que estavam no estudo,  aparentemente não também não estavam presentes ou não estavam representados na reunião, embora algumas pessoas pergutaram sobre os imóveis que seriam desapropriados, o que a prefeitura pediu para a pessoa se informar num determinado número num determinado horário...
 Contexto
 O prolongamento da avendida Chucri Zaidam faz parte da  lei que criou a operação urbana “Águas espraiadas” , bem como a sua licença ambiental prévia, basicamente propõem um conjunto de obras estruturais para adequar a infraestrutura da região ao adensamento programado pela prefeitura ( trata-se de uma  das regiões com um dos maiores estoques construtivos de São Paulo). O plano Urbanístico do setor Chucri Zaidan incorpora a extensão da Av. Chucri Zaidan desde o Shopping Morumbi até a Av. João Dias com extensão aproximada de 3.400m e que servirá de suporte a um sistema de transporte coletivo e a construção de transposição sobre o rio Pinheiros entre as pontes do Morumbi e João Dias.
 Segundo a prefeitura,  “o projeto propõe soluções urbanísticas mais próxima  do cotidiano dos moradores e dos  usuários, sem perder de vista a função e o posicionamento estratégico dessas localidades”, mas não é exatamente assim  que a coisa funciona na prática.
Não se trata apenas de qualificar ou de  aumentar a precária infraestrutura urbana frente os novos desafios da ocupação urbana daquala área, sobretudo quando sabemos que esta ocupação se deu ou se dará através venda de estoques de pontencial  Construtivos (CEPACS) cuja  predominância do uso do solo sera comercial, ou seja, será ocupada sobretudo pelo  setor terciário dando seguimento ao mesmo tipo de ocupação realizado na da Av. Berrini.
Como forma de diminuir os impactos da região,  seria  imprescindível que a prefeitura tivesse como objetivo o desenvolvimento social e urbano daquela região e inclusive com uma proposta de reassentamento de  todos os moradores que serão desapropriados no próprio bairro  ( Segundo a prefeitura as desapropriações  serão realizadas conforme determina lei, ou seja, os imóveis serão avaliados e as pessoas serão pagas e cada um com o seu problema), mas a prefeitura deveria ir além, a Secretaria de desenvolvimento urbano já deveria ter um plano para reassentamento das pessoas e uma política que incorpora tanto moradores, quanto  o comércio local com o novo pólo de desenvolvimento  previsto para aquela área, mas esse desenvolvimento não está previsto. Iremos ver uma repetição do que ocorre com toda a cidade ao longo dos anos,  isto é, a expusão de moradores e do pequeno comércio do bairro para áreas mais distantes da cidade ou simplismente a aniquliação do pequeno comercio local. Em tese, a prefeitura já tem o dinheiro que viria da própria desapropriação, para compra de terrenos e construção de moradias sociais ecológicas no próprio bairro.
 Qualidade do Ar.
 Outro problema que não foi abordado com profundidade,  trata do aumento de gases tóxicos na região e o aumento das  emissões de GEE . Segundo o representante da SP Obras, as emissões irão diminuir pois  existe no estudo a implantação de uma faixa de ônibus que teoricamente reduziria o tráfego de automóveis, mas isso só seria verdadeiro se a implantação dessa faixa  ocorresse numa via já existente , o que não é o caso. Estamos falando de uma nova via, onde não havia tráfego local e serão direcionados para lá um novo carregamento, serão 4 pistas de rolamento por sentido com capacidade para  mais ou menos 7.000 veículos por hora/ sentido. Além disso,  a nova via vai será uma opção ao já congestionado tráfego da Marginal Pinheiros e Nações Unidas, o que poderá acelerar o saturamento da mesma.
Muito importante que o estudo de impacto ambiental faça a simulacão das emissões de poluentes pela atração e geração de veículos, como também um estudo  de acordo com os estoques  de potencial construtivo da região para dimensionar a capacidade das vias e a sua saturação ao longo dos anos.  Também é necessário mostrar como serão realizadas a mitigação destes impactos.  Os moradores desta região deveriam receber explicações sobre o plano de desenvolvimento urbano e social programado para aquela área, inclusive sobre questões que podem implicar no aumento do IPTU, já que teoricamente haverá maior quantidade de equipamentos públicos e infraestrutura na região.
Para realizar um bom debate público, seria necessário uma reunião com a população com a  presença do Prefeito e dos  Secretários de Desenvolvimento Urbano, Habitação, Transporte e Meio Ambiente, afinal de contas trata-se de uma região de 120.000 habitantes ( Uma cidade media ) e se contarmos com as áreas de influênica esse número sobe para casa dos milhões de habitantes.
 É papel da prefeitura preservar os interesses da população local sobre os interesses especulativos.
Todos estes aspectos sociais, ambientais  e de desenvolvimento urbano  vão trazer impactos para toda a cidade, está mais do que na hora da prefeitura executar um plano mais ambicioso e aprofundado, e porque não dizer mais inteligente, de interesse social.  Cabe a população participar dos debates destes temas  promovendo o debate de idéias, sem partidarizar os debates, para que a cidade tenha um verdadeiro ganho de qualidade de vida.  Da forma como as coisas andam, continuaremos prolongando não apenas  as vias estruturais da cidade ou o pseudo desenvolvimento urbano, mas também os seus problemas cruciais.

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