terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vida no campo atrai espanhóis empobrecidos

24/09/2012 - O Estado de São Paulo

RAPHAEL MINDER
DO "NEW YORK TIMES"

Química de formação, Silvia Barcenilla procurou emprego em Madri durante quase um ano. Mas em março ela decidiu tentar uma abordagem diferente e se mudou para a aldeia de Villanueva de la Vera, a duas horas e meia de carro para oeste.

Em dois meses, ela estava trabalhando para um resort, a Hospedería del Silencio, que oferece cursos de ioga e outras atividades recreativas em uma antiga fazenda. Ela alugou um apartamento de dois quartos por € 200 euros, uma fração do que custaria em Madri.

"Se eu tivesse um ótimo emprego em Madri, nem pensaria em me mudar para cá", disse ela. "Mas agora não vejo nenhum motivo óbvio para voltar."

Barcenilla faz parte de um movimento que alguns sociólogos chamaram de "rurbanismo", termo inventado para descrever a migração reversa da cidade para o campo, que interrompeu uma tendência de várias gerações.

O movimento foi acelerado pela crise econômica espanhola, inspirando empreendedorismo em algumas áreas quase abandonadas.

"O rurbanismo começou antes da crise, quando a internet decolou e possibilitou trabalhar em qualquer lugar, mas o que a crise está fazendo é tornar o modelo mais atraente", disse Carles Feixa, um professor de antropologia social na Universidade de Lleida.

É difícil quantificar o movimento, disse ele, em parte porque muitos dos novos migrantes não se importam em mudar sua residência oficial.

Mas está claro, segundo ele, que as cidades da Espanha com mais de 100 mil habitantes pararam de crescer recentemente, enquanto as aldeias com menos de 1 mil não estão mais encolhendo.

Parte desses novos migrantes está voltando para as aldeias onde cresceram ou onde viveram antigas gerações de suas famílias, às vezes, assumindo propriedades que foram deixadas desocupadas ou só eram usadas nas férias.

O rurbanismo trouxe outras mudanças para as pequenas comunidades da Espanha, incluindo a criação de "bancos de tempo", nos quais horas de trabalho são trocadas por bens e serviços.

Carlos Morales, que abriu um consultório médico em Villanueva com sua mulher, disse que ele muitas vezes recebe legumes e outros produtos dos pacientes, como forma alternativa de pagamento.

A mesma nova energia pode ser encontrada na aldeia vizinha de Losar. Lá, a prefeitura aprovou 11 novos projetos de empresas no último ano, segundo Gema Luengo, uma funcionária municipal encarregada do desenvolvimento econômico.

Nem todo mundo compartilha o entusiasmo sobre a vida rural. José Luis Amaya Bohaven e Maria del Mar Benito Tarango cresceram em Villanueva.
Eles se casaram aqui há 25 anos e depois se mudaram para a periferia de Madri.

Em 2008, os dois perderam os empregos, o que os obrigou a voltar para a cidadezinha com seus três filhos, para economizar na moradia. O casal hoje administra uma mercearia, mas "vamos embora de novo assim que essa crise terminar", disse Tarango.

"Nos habituamos a morar em uma cidade grande e realmente esperávamos não precisar viver aqui de novo."

Mas muitos outros dizem que a devastação econômica na Espanha, com o índice oficial de desemprego ainda perto de 25%, os encorajou a seguir sonhos.

"Há muito tempo eu queria morar mais perto da natureza", disse Ruben de la Hera, 36, que se mudou para uma fazenda perto da aldeia de Robledillo, junto com sua mulher e uma filha bebê. "Eu acho que a crise me ajudou a encontrar coragem e dar o salto."

Hoje a família planta legumes, o que a torna "quase autossuficiente", disse. Eles sobrevivem principalmente porque também recebem benefícios de desemprego de € 1 mil por mês.

A família morava na cidade de Logroño, onde De la Hera trabalhava em uma empresa que fornecia máquinas automáticas de venda. Em 2008, o volume de trabalho aumentou e ele viajava até 290 km por dia.

"Depois de alguns anos, percebi que eu estava apenas passando todo o meu tempo na estrada, e isso começou a me enlouquecer", disse ele. "A mudança para cá nos devolveu uma vida familiar equilibrada e saudável."

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