segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sistema de transporte metroferroviário avança na América do Sul

11/09/2015 - IPESI - São Paulo/SP 

Buenos Aires (Argentina) moderniza o metrô mais antigo da América do Sul, com 102 anos, Santiago (Chile), que tem 106 km em cinco linhas, ganha de São Paulo em extensão e investe na construção de mais duas linhas e a cidade de Panamá (capital do Panamá) colocou em operação sua primeira linha e já licitou a segunda. 

Um panorama mesmo parcial da região mostra o avanço do sistema atestando sua eficiência e aprovação pelos passageiros. 
Juan Pablo Piccardo, presidente do Subterraneos de Buenos Aires, metrô que foi delegado à prefeitura da capital federal pelo governo de Cristina Kirchner, mostrou durante o painel internacional Alamys "O avanço metroferroviário na América Latina" - apresentado na 21ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, que acontece até hoje, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo - o plano de modernização que está sendo implementado há dois anos.  Em operação desde 1913 com seis linhas, 53 km de extensão, 83 estações e 564 trens, o subterrâneo, como é chamado na Argentina, já mostra sinais de modernidade aos seus um milhão de passageiros diários. A idade média da frota de 48 anos é, segundo Piccardo, a mais velha do mundo, por isso, a empresa adquiriu 468 trens que já começaram a chegar e está fazendo a reforma nos menos velhos. "Todos os trens eram grafitados e estão sendo repintados nas cores originais". Compramos 105 da China, 86 com 11 anos de uso da Espanha, 30 do Japão e 120 da Alstom, do Brasil, citou. "Quando todos chegarem, a idade vai cair para 22 anos". 

O plano prevê também reforma na estrutura, aumento da potência e nos sistemas e a meta da empresa é reduzir de 4,5 minutos para 3,5 os intervalos entre os trens. Em 2019, quando está previsto o início das operações das três novas linhas, o intervalo deve cair para 2,2 minutos. 

As estações e as galerias também passam por reformas e melhorias com instalação de escadas rolantes e nova iluminação. Além de novas lojas e diversos serviços aos usuários, como Wi-Fi grátis, galerias de arte, museu, a meta da empresa é aumentar em 27% o fluxo de passageiros. 

Para fazer todas essas reformas, a Subterraneos conta com recursos de um novo imposto sobre os automóveis, além da receita de publicidade e alugueis de instalações. A tarifa cobre atualmente apenas 43% dos custos, mas deve aumentar a participação com o aumento do fluxo depois de reformado. 

O metrô de Buenos Aires tem administração pública, enquanto o de Santiago, que transporta 2,4 milhões de passageiros por dia, é uma parceria público-privada (PPP). A cidade com 6,5 milhões de habitantes e 867 km² de extensão tem nas cinco linhas do metrô o principal meio de transporte, atendendo 21 bairros. O Transantiago, sistema de transporte por ônibus que opera em corredores exclusivos desde 2006, também abastece o metrô. A integração dos dois sistemas inclui as tarifas. As linhas do metrô de Santiago, que somam 106 km e 108 estações opera com 153 trens, que transportaram em 2014, 670 milhões de passageiros. 

Álvaro Caballero, gerente Comercial e de Assuntos Corporativos do Metrô de Santiago, destacou a reconhecida qualidade dos serviços e disse que as duas linhas com participação da iniciativa privada, com 28 estações, devem estar concluídas em 2018. "Até 2020 com mais dois km o sistema terá 149 km". 

A cidade do Panamá ganhou sua primeira linha de metrô e já licitou a segunda, informou Marco Contin, diretor geral de Transporte da Alstom Brasil. Ele contou que esse era um sonho antigo da cidade que tem 1,2 milhão de habitantes e uma ponte que separa a capital panamenha ao meio. O projeto original do metrô previa passar sobre essa ponte, que tem 50 anos. Na época, o governo foi aconselhado a construir uma nova ponte, mas os recursos seriam insuficientes para as duas obras. Por isso, o projeto ficou parado por dez anos. Um novo governo mudou o projeto, construiu um túnel de 7 km sob o rio e a obra foi executada em contrato "turn-key" (chave na mão) em 38 meses pela brasileira Odebrecht, a espanhola FCC e trens e sistemas da Alstom. O metrô da capital do Panamá tem 13,7 km, doze estações, opera com vinte trens de três carros cada um. A segunda linha prevê fazer a ligação do aeroporto com a linha 1.

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