segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Há 40 anos, nasciam as ruas abertas em Bogotá

26/10/2015 -  Jornal GGN - Luis Nassif

As ruas abertas nasceram em Bogotá. Há mais de 40 anos.

Era Domingo, 15 de dezembro de 1974. Neste dia, um grupo de universitários organizou um movimento exigindo mais espaço para as bicicletas em Bogotá. A eles se juntaram cerca de 5000 pessoas que percorreram, durante 3 horas, 8 km de ruas e avenidas do centro da cidade. No domingo seguinte um outro movimento novamente ocupou as ruas do centro de Bogotá, naquela oportunidade para a disputa de competições de ciclismo e atletismo. A repercussão destas  manifestações foi enorme, e levou o poder público a tomar medidas até então impensáveis.

Em 20  de junho de 1976 um decreto definiu a abertura de 4 vias na cidade, com 34 km de extensão, e que ficaram conhecidas como "Las Ciclovías” ou "Ciclotón”. Nelas o trânsito de veículos ficou proibido ao longo da manhã. Com isto, o espaço da via, antes dedicado aos motorizados, se transformou em área de lazer e trânsito de bicicletas. Sua inauguração teve a participação de um grande público. Nascia então o primeiro programa de ruas abertas do mundo.

Porém ele só iria se consolidar a partir de 1982, quando movimentos pró bicicleta conseguiram organizar o evento semanalmente. Em 1986 eram 56 km de ruas abertas aos domingos em Bogotá. No início dos anos 90 o programa perdeu ímpeto até que, em 1994, 33 km de ciclovias foram desabilitados. Este foi um período muito difícil, pois a redução da extensão das ruas quebrava a continuidade dos circuitos.

Em 1995, são elaboradas novas diretrizes para as  Ciclovías. Inicialmente foram feitas pesquisas para identificar os perfis dos usuários. A partir de então as Ciclovías passam a ser vistas como elementos de conexão urbana. A escolha das vias a serem abertas foi criteriosa. Os parques públicos eram considerados como elementos de conexão prioritária, seguidos pelos equipamentos esportivos e, por fim, os elementos arquitetônicos, culturais e históricos da cidade. Esta estratégia permitiu a estruturação de circuitos fortemente articulados com a cidade. Simultaneamente, foi elaborado um novo e maior orçamento para a implementação desta proposta. Também houve uma reorganização das ações elaboradas pelos diversos órgãos responsáveis pelo programa.

Em 1996, as Ciclovias foram ampliadas para 81 km, e atingiram 70% das áreas da cidade. Novos sistemas de sinalização e comunicação são implementados. A fiscalização e a segurança do evento são melhoradas. Os vendedores ambulantes são cadastrados e organizados. Passeios cicloturísticos são oferecidos à população. Um programa de ciclomissas, conectado ao Templo Eucarístico do Parque Simón Bolivar, chegou a existir neste período. O programa foi utilizado como uma forma de difundir a prática de esportes entre a população da cidade. Aulas de como andar de bicicleta e outras atividades esportivas e recreativas são ministradas nos espaços públicos livres dos veículos. O advento de Las Ciclovías fomentou o aparecimento de uma nova relação dos bogotanos com a sua cidade e com seus concidadãos.

A ampliação do programa levou ao surgimento de uma malha de 121 km de ruas abertas em 2006. Hoje cerca de 1,5 milhão de bogotanos disfrutam de sua ampla rede de ruas abertas ao lazer e às bicicletas. Em 27 de janeiro de 2013 quase 2 milhões de pessoas passearam pelas Ciclovías. Apesar de centenas de cidades pelo mundo terem adotado programas semelhantes ao de Bogotá, estas marcas são, até hoje, insuperáveis no mundo.

Por: Marcos Costa

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