terça-feira, 25 de junho de 2019

Ministro garante a construção da Fico e concessão da 163 entre Sinop e Miritituba

24/06/2019 - RD News

Vinícius Bruno

O ministro de Infraestrutura Tarcísio Gomes cita ainda concessão de 16 mil km de rodovias

O ministro de Infraestrutura Tarcísio Gomes garantiu, nesta segunda (24), que a renovação da outorga da Vale vai permitir a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), entre Goiás e Mato Grosso. A declaração foi dada durante um encontro com empresários no Rio de Janeiro. O ministro também revelou a intenção do Governo Federal em conceder à iniciativa privada a exploração de 16 mil km de rodovias, incluindo percursos da BR-163, entre Mato Grosso e Pará.

"A Vale vai construir para o governo a Ferrovia de Integração Centro-Oeste. Ela vai pagar a outorga dela fazendo essa construção. No final das contas a ferrovia é nossa, do Estado, que vai licitar e exigir uma nova outorga", informou o ministro. A Fico ligará o trecho de 383 km entre Campinorte (GO) a Água Boa (MT), e deverá receber o investimento de R$ 2,7 bilhões. A capacidade de transporte deverá ser de 13 milhões de toneladas de grãos. 

Já a BR-163 tem aproximadamente 900 km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). O percurso é conhecido pelos 90 km de terra que se transformam em atoleiros durante o período de chuva e causa grande transtorno para o escoamento da produção de grãos mato-grossenses que são transportados da região Norte do Estado até o Pará.

O percurso também deverá ser percorrido pela Ferrogrão, ferrovia que está com projeto em fase de consulta pública, esperando autorização do Tribunal de Contas da União (TCU) nos próximos meses e ter edital lançado no 3º quadrimestre deste ano. A estimativa é que o projeto avaliado em R$ 12,7 bilhões seja leiloado até o primeiro trimestre de 2020.  A capacidade de transporte do modal será de 42 milhões de toneladas de grãos até 2050.

A sinalização de transferência de rodovias à iniciativa privada e modernização de normas que facilitem a ampliação da malha ferroviária proposta pelo Governo Federal tem atendido a reivindicação do setor produtivo do agronegócio que depende das melhorias em infraestrutura e logística para aumentarem competitividade junto ao mercado internacional (Com informações da EBC).

Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil








Secretário da Receita Federal garante instalação de porto seco em Sinop, diz prefeita

24/06/2019 - Só Notícias


O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, garantiu à prefeita Rosana Martinelli (PR) que Sinop terá um terminal alfandegário que agiliza importações e exportações, denominado de “porto seco”. Há alguns dias, a gestora se reuniu com o representante do órgão federal, em Brasília (DF), onde recebeu a confirmação da abertura do procedimento licitatório de outorga do terminal. “Protocolamos o pedido e o secretário nos deu a garantia de abrir o edital. Para o município de Sinop é um ganho muito grande”, afirmou Rosana, ao Só Notícias.

O porto seco, conhecido também como Estação Aduaneira do Interior (EADI), é um terminal controlado pela Receita Federal, no qual são executadas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias e de bagagem. Os portos do interior foram criados como opção logística para desafogar a movimentação de mercadorias em zonas primárias (portos e aeroportos). Em Mato Grosso, Cuiabá é a única cidade que dispõe de um porto desta natureza.

“Após a mercadoria passar por este recinto, pode seguir direto para o costado do navio. Está liberada para exportação. Vale também para a importação. É a competitividade e a livre concorrência para os empresários. Ele pode escolher onde liberar a mercadoria. Além disso, são recursos da iniciativa privada, que vai comprar a área e construir”, explicou a prefeita.

Ainda não há previsão para implantação do terminal em Sinop. Rosana, no entanto, acredita que, até o começo do ano que vem, a Receita terá liberado o procedimento licitatório. “É o início do processo. Hoje, a gente não tem previsão de data. Esperamos que lance o edital no final do ano ou início do ano que vem. Mesmo que o processo seja demorado, é um grande avanço para facilitar o processo burocrático de exportação e importação”.

A prefeita ainda comemorou a garantia dada pelo secretário e destacou que o porto seco representará “um grande avanço” para o desenvolvimento de Sinop. “O município tende a ganhar. Vai atrair mais recursos e empresas. É um grande projeto de desenvolvimento. Como vamos estar com o terminal da ferrovia (Ferrogrão), acaba consolidando o município”.

Só Notícias/Herbert de Souza (foto: Só Notícias/Guilherme Araújo)








domingo, 23 de junho de 2019

Obras na BR-163/PA avançam e 10 novos quilômetros já foram pavimentados

21/06/2019 - DNIT

DNIT trabalha para construir trechos finais da rodovia até Miritituba (PA), iniciada na década de 70, e recuperar quase 800 quilômetros da estrada já asfaltada

Divulgação

Dez novos quilômetros já foram pavimentados na BR-163/PA desde o fim da estação de chuvas na região. As obras foram retomadas no fim de maio pelas equipes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do Exército Brasileiro, em trechos localizados entre os municípios paraenses de Novo Progresso e Moraes Almeida.

Até o fim de 2019, cumprindo compromisso firmado pelo Ministério da Infraestrutura, os últimos 51 quilômetros da rodovia, iniciada na década de 70, devem ser pavimentados. Segundo o diretor-geral do DNIT, general Santos Filho, a obra vai melhorar o escoamento da produção de grãos do centro-oeste do país, com a pavimentação até os portos de Miritituba (PA). “Concluir a pavimentação da BR-163 é um grande desafio. Certamente, ao fim desse ano, teremos a realização de um sonho brasileiro com a pavimentação. Essa estrada impulsionará a economia do país, escoando produtos agrícolas pelo Brasil e incrementando a exportação para outros países. Após mais de 40 anos, nós faremos essa tão almejada entrega à sociedade brasileira”, afirmou o diretor-geral da Autarquia.

No início da semana, em visita técnica à região, o general Santos Filho acompanhou o andamento da obra juntamente com o diretor de Infraestrutura Rodoviária (DIR), Euclides Bandeira. Eles realizaram uma reunião de coordenação e acompanhamento com o 8º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, responsável pela construção de 48 quilômetros desse segmento.

Restauração - Quase 800 quilômetros da rodovia passam por recuperação com manutenção, partindo de Sinop, no Mato Grosso. A ideia dessas ações é garantir a trafegabilidade e melhorar o acesso aos portos paraenses das safras de soja e milho durante todo ano, diminuindo o tempo de viagem e reforçando a segurança viária.

A visita técnica também acompanhou as ações de restauração entre Sinop (MT) e Novo Progresso (PA), apontando prioridades e orientando as equipes contratadas ao longo da via, no sentido de priorizar trechos críticos e garantir celeridade às intervenções necessárias no pavimento.

Coordenação de Comunicação Social - DNIT









quarta-feira, 19 de junho de 2019

As polêmicas da região do Tapajós


por Franssinete Florenzano

O Tapajós fervilha como corredor de escoamento de grãos, além de produtor de energia elétrica.

A região de integração Tapajós é considerada estratégica no plano de desenvolvimento nacional.

O Pará tem 12 regiões de integração: Araguaia; Baixo Amazonas; Carajás; Guamá; Lago de Tucuruí; Marajó; Metropolitana; Rio Caeté; Rio Capim; Tapajós; Tocantins e Xingu.

O Tapajós fervilha ante as expectativas de se transformar no grande corredor alternativo de escoamento da produção nacional, além de produtor de energia elétrica. Ao mesmo tempo, causa grande inquietação a ausência de garantias de compensações adequadas aos impactos, principalmente sociais e ambientais, que são irreversíveis. O Idesp – Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará acaba de publicar um relatório técnico sobre a região, lançando luz sobre diversas questões que estão em pauta.

O Plano Decenal de Expansão de Energia do Ministério das Minas e Energia prevê, entre 2010 e 2020, investimentos da ordem de R$190 bilhões na construção de pelo menos trinta usinas hidrelétricas no País, e a Amazônia apresenta 66% do potencial hidrográfico a aproveitar para geração de energia, com destaque às bacias hidrográficas dos rios Tocantins, Araguaia, Xingu e Tapajós.

O potencial hidrelétrico da região Norte está estimado em 111.396 MW, quase a metade do brasileiro. No Pará chega a 38,2 mil MW, distribuído entre as principais sub-bacias dos rios Xingu, Tocantins, Itacaiúnas e Tapajós. Nessa perspectiva, a região de integração Tapajós – que compreende os municípios de Aveiro, Itaituba, Jacareacanga, Novo Progresso, Rurópolis e Trairão – é considerada estratégica no plano de desenvolvimento nacional e comporta importantes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC II), pontua o relatório.

Os primeiros estudos de avaliação do potencial hidrelétrico da bacia do rio Tapajós datam da década de 1970, pelo Ministério de Minas e Energia, quando da descoberta do potencial minerário da região, seguidos de algumas tentativas de realização de inventário hidrelétrico do rio Tapajós e seus afluentes nas décadas de 1980 e 1990, e se tornaram prioridade a partir de 2002. O inventário finalmente foi entregue pela Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A., Eletronorte e Consórcio Nacional de Engenheiros Construtores, em junho de 2008, e aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em maio de 2009.

Estão previstas sete usinas, no âmbito do PAC II: São Luiz do Tapajós (6133 MW); Jatobá (2338 MW) e Chacorão (3336 MW) no rio Tapajós; Cachoeira do Caí (802 MW); Jamanxim (881 MW); Cachoeira dos Patos (528 MW) e Jardim do Ouro (227 MW) no rio Jamanxim, com total da capacidade instalada de 14.245 MW e custo de R$ 40,9 bilhões (US$ 20,76 bilhões). A mais cara seria São Luiz (US$ 9,2 bi), a partir daí, Jatobá (US$ 4 bi), Chacorão (US$ 4,3 bi), Cachoeira do Caí (US$ 1,02 bi), Jamanxim (US$ 984 mi), Cachoeira dos Patos (US$ 751 mi), e Jardim do Ouro (US$ 500 mi). Os estudos de viabilidade dos empreendimentos e de impactos ambientais das UHE-São Luiz do Tapajós e Jatobá já estão em fase de conclusão e elas deverão entrar em funcionamento em 2018 e 2019, respectivamente, salienta o relatório.

As áreas inundadas pelas UHE seriam em total de 3.084,85 Km2, com impactos importantes nas comunidades indígenas. A UHE-São Luiz afetaria as comunidades Munduruku e Apiaká de Pimental, Akaybãe, e Remédio. A UHE-Chacorão inundaria 121,1 Km2 da Terra Indígena Munduruku e as Terras Indígenas Sai Cinza, São Martinho, e Boca do Igarapé Pacu a 2,5 Km da barragem, consideradas diretamente atingidas.

Nesse contexto, o Governo do Pará, através do Idesp, propõe que para os projetos de investimento na Amazônia seja definido um crédito tributário e o valor socioambiental e econômico dos danos causados à natureza e à sociedade para constituir um fundo de recebíveis socioambiental destinado ao fomento permanente do desenvolvimento regional, cuja gestão deve ser feita por um arranjo institucional, com a liderança do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal instituição financiadora dos projetos voltados para o desenvolvimento regional.

A intenção é mudar a trajetória histórica dos grandes empreendimentos formadores de enclaves que, independentemente da forma de exploração dos recursos naturais e do contingente populacional afetado, sempre resultam em acumulação de riqueza para uma minoria e em grande passivo ambiental e social no local e em seu entorno.

Em termos práticos o BNDES abriria um fundo de investimento, que deve assumir as características do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, introduzido no Brasil ao final de 2001 pela Resolução CMN 2907. O ativo desses fundos representa o crédito originário de operações realizadas pelos segmentos financeiros de empresas diversas, prestação de serviços e, nesse caso, pelos recebíveis oriundos dos valores pagos como compensação por créditos tributários e danos causados ao meio ambiente (pela destruição dos recursos naturais renováveis e não renováveis) e à sociedade pelos grandes projetos implantados e a serem implantados na Amazônia, que vão formar o lastro do fundo de recebíveis.

A partir desse fundo, o BNDES, que deve exercer a função de gestor, pode lançar papéis ou quotas no mercado para a busca de investidores, ao longo do tempo, que são lastreados nos recebíveis das compensações e tributos pagos pelos grandes projetos de investimento na Amazônia.

A proposta do Idesp considera também fundamental definir na matriz de custos dos projetos a parcela do crédito tributário que deve ser destinada, juntamente com o valor da compensação, para a formação do fundo de recebíveis socioambiental, conceito que não está claro nos projetos implantados na Amazônia. Uma vez determinada a magnitude desses valores, deverá ser feita a sua integralização como ativo do fundo de recebíveis socioambiental para financiar o desenvolvimento regional, a partir de investimentos sob condições diferenciadas a micro e pequenos empreendimentos com fins socioeconômicos no território de sua influência. A forma da estrutura da securitização e da operacionalidade do fundo cabe ao arranjo institucional proponente e gestor do fundo.

A construção dessas hidrelétricas viabilizaria outro projeto estratégico, a hidrovia Tapajós-Teles Pires, que favoreceria o escoamento da produção da região Centro-Oeste, diminuindo o seu custo, e também fomentaria a geração de renda em diferentes setores.

Entre a foz do rio Tapajós e as primeiras corredeiras de São Luiz do Tapajós (345 km), as condições de navegabilidade são excelentes durante o ano inteiro e, por décadas, são utilizadas para transportar cargas e passageiros. Nesse trecho estão localizadas Santarém, Ponta de Pedras, Alter do Chão, Vila Franca, Pindobal, Aramanaí, Boim, Fordlândia, Aveiro, Brasília Legal, Barreiras, Itaituba, Miritituba e São Luiz do Tapajós. O segundo trecho, entre as corredeiras de São Luiz do Tapajós e a confluência do rio Juruena/Teles Pires (851 Km da foz do rio Tapajós) necessita de transposição das corredeiras de São Luiz e a cachoeira do Chacorão. O terceiro trecho alcança a cachoeira Rasteira (1.043 Km da foz do rio Tapajós), leito muito arenoso, com muitos bancos de areia. O quarto trecho pode chegar às cidades matogrossenses de Alta Floresta, Sinop e Sorriso (mais de 2,5 mil Km da foz do rio Tapajós).

O povoamento e a estruturação espacial inicial da região do Tapajós remonta ao período colonial. A mudança no padrão de povoamento, em suas formas de uso e ocupação, começou nos anos de 1950 e tomou impulso a partir da década de 1960, especialmente com a chamada Operação Amazônia, baseada na doutrina de segurança nacional, durante a ditadura militar.

Em 1970 foi criado o Programa de Integração Nacional (PIN) e, em 1971, o Programa de Redistribuição e Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste (PROTERRA), ambos inseridos na lógica do I Plano Nacional de Desenvolvimento (I PND, 1972-1974). Neste contexto, foi processada a expansão da malha rodoviária regional com a construção das BR-230 (Transamazônica) e BR-163 (Cuiabá-Santarém).

A pavimentação da BR-163, prometida aos quatro ventos por todos os últimos presidentes da República das últimas décadas, embora seja de importância nacional, diante do estrangulamento das rodovias e portos do sul e sudeste, avança timidamente face aos urgentes reclamos da sociedade parauara.

Fernando Collor de Mello prometeu. Fernando Henrique Cardoso idem, duas vezes. Lula ibidem, duas vezes. Dilma Roussef também já está prometendo na segunda campanha. E nenhum honrou a palavra. Já se tentou de tudo. As empresas ligadas à produção de soja chegaram a prometer assumir os custos das obras na rodovia. Depois, durante o governo Lula se falou na viabilização da parceria entre o setor público e o setor privado. Por fim, a obra foi retirada, pelo governo, da carteira de projeto da PPP e inserida no PAC. E agora, com a ajuda de Deus e Nossa Senhora de Nazaré, sob as promessas deste Círio eleitoral, talvez se concretize do modo que o Pará precisa e merece.

A alternativa complementar para o escoamento dos grãos do Centro-Oeste, em especial a soja, é a viabilização de portos ao longo da calha do rio Tapajós a partir de Miritituba, município de Itaituba. Nesse trecho serão construídos na margem direita do Tapajós, em frente a Itaituba, a Estação de Transbordo de Carga/ETC Itaituba, da CIANPORT; a ETC Miritituba, a HBSA Tapajós e a ETC Cargill, com ligação ao Terminal de Uso Privativo Misto de Vila do Conde, em Barcarena, e ao porto de Santarém. A articulação entre espaços atinge níveis de escala global, integrando mercados da Europa e China.

Outra questão que o Pará enfrenta é a retomada de seu espaço. Em 1971, através do Decreto Lei nº. 1.164/71 e do Decreto Lei nº. 1.473/76, foram federalizadas muitas terras dos Estados da Amazônia Legal, as terras devolutas situadas na faixa de 100 quilômetros de largura em cada lado do eixo das rodovias construídas, em construção ou simplesmente projetadas, o que representou a transferência de 66% das terras do Pará ao domínio da União.

Foi criado, também nessa mesma época, o POLAMAZÔNIA (Programas de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia). Dos cinco polos projetados para o Pará, um foi para a região de Altamira.

Mais tarde, o controle territorial serviria para incentivar a ocupação seletiva da terra e implantação de projetos de exploração dos recursos naturais (minerais, hidrelétricos e madeireiros). Somando-se as terras sob jurisdição do Incra, as terras do Ibama, as Terras Indígenas (Funai) e as áreas militares, ainda hoje o domínio da União sobre o território do Pará está na ordem de 66%. Pois na região do Tapajós o percentual é de cerca de 90%: dos 189.498 Km² de área territorial, 173.750,98 quilômetros quadrados estão sob o domínio federal. A maioria das terras, principalmente sob o controle do Ibama, corresponde às Unidades de Conservação e às Terras Indígenas, que somam 65,66%. As Forças Armadas detêm 21,97% e os assentamentos rurais ocupam 4,06% da área.

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, a população do Pará é de 7.581.051. Contudo, no Tapajós há apenas 209.531 habitantes (IBGE, 2010), o que aponta ser a menos povoada do Estado. O município de Itaituba concentra 45% da população regional (97.490 habitantes).

Dados do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Pará (Sema, 2007) revelam que 57,52% do território do Pará são constituídos por áreas protegidas (Terras Indígenas somadas às Unidades de Conservação). No Tapajós o total de 121.694,17 Km² de seu território é constituído por áreas protegidas, o que representa 64,19% do seu território.

O Parque Nacional da Amazônia (PARNA) é a Unidade de Conservação de Proteção Integral mais antiga da Região de Integração Tapajós. Criado em fevereiro de 1974, pelo Decreto n° 73.683, como parte do PIN, logo após a implantação da BR-230, teve sua área reduzida em 6000 ha., pelo decreto 90.823, de 18/01/1985 e ampliado em 167.379 ha. pelo decreto s/n de 13/02/2006. Recentemente, a fim de viabilizar o aproveitamento hidrelétrico da bacia do Tapajós e ações relativas à colonização e assentamento de populações migrantes, 6,7% de sua área total foi excluída, sendo 2,5% decorrentes da sobreposição com o Aproveitamento Hidrelétrico de São Luiz do Tapajós e 4,2% para a redefinição dos limites leste do Parque relacionados aos conflitos sociais. Estudos complementares do Zoneamento Ecológico-Econômico da BR-163 constataram, em 2005, a existência de 14 comunidades rurais vivendo no seu interior. A permanência delas levou à criação da zona de amortecimento e à previsão de planos de manejo e de ordenamento territorial da área.

No Tapajós também está uma das mais importantes concentrações de populações indígenas do Pará. Os Munduruku, conhecidos como Weidyenye, Paiquize, Pari e Caras-Pretas, habitam as terras indígenas Cayabi, Munduruku, Munduruku II, Praia do Índio, Praia do Mangue e Sai-Cinza, adentrando no Amazonas e Mato Grosso. Dados do Distrito Sanitário Especial Indígena (2013), apontam uma população de 8.538 indivíduos, distribuídos em 112 aldeias só nos municípios de Jacareacanga (8.035 40) e Itaituba (503). Eles falam a língua Munduruku, do grupo linguístico macro-tupi.

Os garimpos do Tapajós já foram um dos maiores produtores de ouro do Pará. A exploração da Província Mineral do Tapajós começou em 1958, no rio das Tropas. Entre 1987 e 1992, a produção aurífera de Itaituba era acima de 55% da do Estado. Mesmo assim, pouco contribuiu para o desenvolvimento local. Itaituba e Jacareacanga foram as cidades que mais sofreram mudanças com o crescimento desordenado em função da chamada “febre do ouro”.

O relatório do Idesp toca em outro assunto polêmico: na década de 80, quando o garimpo de ouro estava em franco crescimento no Tapajós, acreditava-se que a única fonte de contaminação mercurial dos ambientes fluviais e lacustres provinha da atividade aurífera, já que os garimpeiros utilizavam o mercúrio metálico para selecionar o ouro das impurezas. Não obstante, estudos realizados por pesquisadores da L’Université du Québec à Montréal revelaram que a presença do mercúrio natural nos solos, na área de drenagem do Tapajós, é expressiva e que o desmatamento das matas galerias ou ciliares, voltado à atividade agropecuária, contribui para o deslocamento, por meio do processo de lixiviação, do mercúrio metálico em direção aos igarapés, lagos, rio principal e seus afluentes. Uma vez disponível nos ecossistemas aquáticos, o mercúrio metálico se transforma em metil mercúrio e assim penetra na cadeia alimentar, provocando danos à saúde humana através do consumo de produtos da pesca, em longo prazo.

Trabalhos científicos indicam que o mercúrio, enquanto contaminante, provém de alterações da sua forma metálica encontrada normalmente na natureza, por isso é preciso atentar ao processo de apropriação e uso dos recursos naturais, inclusive de uso hidrelétrico, sem desconsiderar seus efeitos nocivos sobre o modo de vida das populações que lá vivem e trabalham, sobretudo as comunidades ribeirinhas, as quais estabelecem relação orgânica com o rio, construindo um amálgama, recomenda o estudo.

Para se promover uma nova racionalidade acerca da exploração mineral na região do Tapajós, dado o acentuado interesse minerário, o Idesp sugere políticas que assegurem retorno financeiro e infraestrutural para promover desenvolvimento regional; investimento para solucionar o problema de gerenciamento causado pela fragilidade das instituições que operam na região; desenvolvimento de recursos humanos, capaz de superar graves assimetrias entre os atores envolvidos no processo; investimento em ciência e tecnologias mais apropriadas para potencializar as explorações minerais com menor impacto ambiental possível; e maior controle comercial do ouro e agregação de valores como instrumento de geração de emprego e renda para a população, minimizando seus efeitos negativos ao ambiente e sobre a sociedade, inclusive aqueles acarretados pelo desmatamento.







Faculdade CNA atrai pessoas interessadas em seguir carreira no agro


19/06/2019 - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)



A possibilidade de aliar tecnologia e agropecuária foram determinantes para a paraense Rosilene Oliveira escolher o curso superior a distância em Gestão do Agronegócio da Faculdade CNA. A instituição é ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, que representa os produtores rurais brasileiros.

“O curso está me ajudando nos processos de logística e produção da empresa em que trabalho. Além disso, tenho a oportunidade de integrar duas paixões: a agricultura e a tecnologia. Tenho estudado muito sobre isso, a faculdade está superando as minhas expectativas”, declarou Rosilene.

Na opinião de Rosilene, a graduação a distância é uma excelente oportunidade para conciliar a rotina às atividades da faculdade. “A plataforma de aprendizagem é bastante versátil e intuitiva. Isso ajuda, inclusive, na interação com os colegas de outros polos. Temos a oportunidade de trocar informações sobre as particularidades da agropecuária nas outras regiões”, observou.

O gestor do agronegócio é o profissional com a responsabilidade de contribuir para o aumento da eficiência produtiva e sustentável das cadeias produtivas do agronegócio, por meio da aplicação de técnicas de gestão, comercialização e de incorporação de novas tecnologias.

As principais oportunidades dessa área nas indústrias estão nas empresas produtoras de alimentos ou aquelas que trabalham diretamente comercializando produtos e serviços agrícolas, como adubação, irrigação, drenagem entre outras.

Inscrições abertas – A Faculdade CNA está com inscrições abertas para o processo seletivo no início no segundo semestre para os cursos de Gestão do Agronegócio, Gestão Ambiental, Gestão de Recursos Humanos e Processos Gerenciais da Faculdade CNA. Ao todo, são nove polos distribuídos no Brasil, sendo um deles em Santa Izabel do Pará (PA). Para obter mais informações sobre a faculdade CNA e realizar a inscrição, acesse: http://faculdade.cnabrasil.org.br/






segunda-feira, 17 de junho de 2019

Alvorada da Amazônia


Distrito do Município de Novo Progresso, localizado no Sudoeste do Pará, na altura do Km 279 da Rodovia BR-163/PA antigo Km 1053 da  rodovia Cuiabá - Santarém.

Histórico

Fundado em junho de 1980, junto ao Córrego Arco-íris , pela família Thomas, paranaenses de Missal, que ali fixam acampamento para implantar fazenda e se dicar à agropecuária. Com o passar do tempo, em poucas semanas outras famílias do sul do Brasil se fixam no local, formando uma comunidade.

Em 1981, é construída uma pequena Igreja de madeira, em homenagem a São Roque, com 9 metros de comprimento  e 7 metros de largura, erguida junto ao local do primeiro acampamento.

Em 1982, surgem os primeiros garimpos na região, entre os mais conhecidos, os de Canaã, Dois Coringa e Mate o Velho, promovendo o crescimento da comunidade, que se transforma numa vila, ganhando novos estabelecimentos comerciais e campo de pouso, usado principalmente para o escoamento da produção do garimpo.

Paralelo a atividade do garimpo, desenvolve-se também a extração e a indústria da madeira. O ciclo do ouro dura até o início da década de 1990.

Em 1990, é organizada a primeira Festa do Costelão, por iniciativa do Sr. Ari Thomas, filho do casal pioneiro Seno e Anita Thomas. Com o passar dos anos a Festa se transforma no principal evento da região, atraindo milhares de visitantes. 

Por volta de 1990, são abertas as primeiras ruas paralelas à Rodovia, iniciando o processo de loteamento.

Em setembro de 1998, na gestão do Prefeito Juscelino Alves Rodrigues, é inaugurado o Posto de Saúde.

Em 2003 a Vila contava contava com 4 mercados: Center Shop, Sonora, Buriti e Alvorada. No ano seguinte é aberto o Mercado Fibor. Em 2005 é aberto o Mercado Prado e o Mercado Fibor é transferido para novo local. Em 2006 é fechado o Mercado Buriti, vendido para o Mercado Sonora, que transfere sua loja. Em 2012 o Mercado Sonora é vendido, sendo transformado no Mercado Bom Preço.

Em 2009, finalmente, depois de uma longa espera, o Distrito passa a receber energia elétrica das Centrais Elétricas do Pará (Celpa).

Também em 2009, na gestão da Prefeita Madalena Hoffman, é entregue o Ginásio de Esportes.

Em 2010, segundo o Censo do IBGE, contava com 315 domicílios ocupados com população total de 1.195 habitantes, sendo 617 homens e 578 mulheres.

Por volta de 2010, é inaugurado o primeiro posto de gasolina, fechado em 2014.

Em 2015, no dia 1º de maio, por iniciativa do Sr. Jair de Oliveira, é inaugurado o segundo posto de gasolina do Distrito, o Auto Posto JE, com loja de conveniência.

Em 2016, com recursos da Prefeitura e do Governo Federal, é inaugurada a Escola Municipal, com 6 salas de aula.


Alvorada da Amazônia em julho de 2016. Foto Google Earth

Em setembro de 2017, o caixa do Supermercado Fribor passa a contar com sistema de pagamento de contas, facilitando a vida da população, evitando deslocamentos até Novo Progresso. O Distrito nunca contou com banco ou caixa automática.

Em função de seu relevo acidentado, o Distrito ainda não dispõe de grandes plantações, como já verificado no restante do Município de Novo Progresso. Em 2018, no entanto, foram lançadas as primeiras plantações de soja no Distrito, localizadas às margens da BR-163.

O Distrito já contou com linhas particulares de telefone fixo particular e nunca de telefonia celular. Próximo à agência de viagens, onde param os ônibus das empresas Thomas Tur, Verde e Ouro e Prata, existe um telefone público (orelhão) funcionando.

Até 2019, não era cobrado Imposto Predial e Territorial Urbano no Distrito.


COMÉRCIO 

Supermercados 

Fibor, desde 2004. Transferido para novo local em 2005.
Bom Preço, desde novembro de 2012
Mercearia e Açougue E.R.

Padarias

Panificadora Cristo Rei, desde 2012
Panificadora e Lanchonete Parizotto, inaugurada em 31/06/2013
Panificadora Bom Sabor

Restaurantes

Nety
Restaurante do Léo

Lanchonetes

Caramba
Nety
Rodoviária
Auto Posto JE 

Drogaria

Biofarma - (93) 981 132 318

Roupas

Avaré Confecções

Veículos

Mecânica Mundial
Gil Motos
Oficina Moto Bike

Hospedagem

Hotel T.H, diária de 40 reais sem café da manhã

Variedades

Loja Real (2010)


Importante:

Comentários, correções e sugestões são bem-vindos. Está página só foi possível graças a gentil colaboração dos moradores do Distrito.


REFERÊNCIAS:

"Prefeita Madalena fala ao site Povos da Amazônia sobre os seis primeiros meses de governo". Tribuna do Povo. 2009, julho, 13. 

"25ª Festa do Costelão em Alvorada da Amazônia foi um sucesso absoluto". Folha do Progresso. 2016, maio, 3.

"Distrito Alvorada da Amazônia". Revista Opinião. 2019, fevereiro/março.


Marcelo Almirante
Página lançada em 17 de junho de 2019










sábado, 15 de junho de 2019

Mauro recebe garantia de ministro que ferrovia FICO é prioridade; obras devem começar no próximo ano


12/06/2019 - O Documento

Governador se reuniu com ministro da Infraestrutura, em Brasília. A Fico deverá fica pronta em 2023.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, recebeu na terça-feira (11) o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), para tratar sobre as obras de infraestrutura e transporte previstas no estado. O encontro também contou com a presença do coordenador da bancada federal na Câmara dos deputados, Neri Geller (MT-PP), e de técnicos do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).

De acordo com Freitas, a obra Ferroviária de Integração do Centro-Oeste (FICO), que vai interligar Cuiabá ao município de Campinorte (GO), com 1641 quilômetros de extensão, está na agenda de prioridades do governo. “O contrato deve estar assinado até o fim do ano e o início das obras será em 2020, com conclusão num prazo máximo de três anos”, destacou.

A reunião também abordou os encaminhamentos da obra ferroviária da Ferrogrão, além da BR-158, rodovia considerada estratégica para a malha viária no estado, por cortar o país de Norte a Sul e interligar Mato Grosso aos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O governador Mauro Mendes avaliou o encontro com o ministro como muito produtivo e manifestou preocupação com alguns atrasos no calendário de obras. “Ainda enfrentamos um sério problema com os entraves em razão de licenciamento ambiental. Isso tem paralisado obras importantes e precisamos contar com o apoio do governo para dar mais celeridade”, comentou Mauro Mendes.