sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Estradas foram responsáveis pelo crescimento da Alemanha

29/10/2010 - Transporte Idéias

O autor do livro “The German Autobahn”, Richard Vahrenkamp, afirma que poucos projetos são associados à Alemanha quanto a rede de autoestradas. O livro, lançado recentemente, conta a história de uma rede de rodovias que permitia, já nos anos 30, percorrer quase todo o país sem entrar nas cidades.

A Alemanha tem mais de 12 mil quilômetros de autoestradas, e é a terceira maior rede do mundo. Apenas Estados unidos e China têm redes maiores. A administração da malha rodoviária alemã é feita pelo governo federal, por meio do ministério dos Transportes.

Entrevistado pelo jornal “O Globo”, Vahrenkamp, que é professor da Universidade de Kassel, diz que já nos anos 30 se previa um crescimento do tráfego de veículos, assim como cargas, e a necessidade de colocar o tráfego pesado do lado de fora das cidades. Ele também afirma que, sem essa rede de estradas, não seria possível o “milagre econômico” após a Segunda Guerra Mundial, quando o país ficou destruído e falido.

O projeto da construção das autoestradas ganhou impulso na era nazista, quando foram construídos mais três mil quilômetros, mas o início foi nos anos 20. Vale ressaltar que na época existiam poucos veículos.

Em 1933, durante a ditadura de Adolf Hitler, foi determinada a construção de uma moderna autoestrada ligando Munique a Salzburg, na Áustria. Depois, com a democracia, o primeiro chefe de governo da Alemanha Ocidental Konrad Adenauer tinha um projeto para construir estradas com várias pistas e sem cruzamentos. Com isso, no ocidente foram construídos mais de seis mil quilômetros de autoestradas, enquanto havia uma única rodovia no leste, dominado pelo regime comunista.

“Depois da Segunda Guerra, também perdida, a rede de autoestradas, ainda hoje uma das melhores da Europa, teve, porém, um papel fundamental no desenvolvimento econômico, pois tornava possível o aumento forte da motorização sem a limitação das estradas estreitas que passavam por dentro das cidades”, diz Vahrenkamp.

As autoestradas são como pistas múltiplas de alta velocidade e não têm cruzamentos. Além disso, o limite de velocidade só existe em alguns trechos mais perigosos.

O crescimento da malha viária ainda não parou. Prova disso é que será financiada a construção de mais 800 quilômetros de vias e a ampliação com mais pistas de 1.600 quilômetros já existentes. O governo começou a arrendar 370 quilômetros de estradas em 2009.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

China tem mais de 7 mil km de linhas de alta velocidade

27/10/2010 - Amantes da Ferrovia

A nova linha, de 202 km entre Xangai e Hangzhou, é também o palco do novo recorde mundial de velocidade: 416,6 kms/hora.

Nos testes realizados o mês passado, o mais moderno “tgv chinês”, o “CRH380A”, excedeu em 22,3 Km/hora a marca alcançada no verão de 2008 na primeira linha férrea chinesa de alta velocidade, que liga Pequim a Tianjin.

O engenheiro-chefe do Ministério dos Caminhos de ferro, He Huawu, anunciou esta semana que a China está desenvolvendo um comboio ainda mais rápido, capaz de atingir 500 km/hora, a velocidade de alguns aviões pequenos.

“Queremos liderar o mundo na construção ferroviária de alta velocidade”, disse He Huawu em um fórum internacional da especialidade em Wuhan, centro da China.

O “CRH380A” que vai operar na linha Xangai-Hangzhou – um comboio “made in China” com oito carros e capacidade para 500 passageiros – atinge os 350 kms/hora em apenas dez minutos.

Segundo a previsão das autoridades, cerca de 80 milhões deverão viajar anualmente naquela linha, que liga a “capital econômica da China” à capital da província de Zhejiang, uma das mais prósperas do país.

No final de setembro, a China já tinha 7.055 km de via-férrea de alta velocidade, devendo chegar aos 13.000 km em 2012 – mais do que toda a rede existente hoje no mundo inteiro.

Em 2009, o Japão e a França – os outros países que mais têm investido neste setor – tinham, respectivamente, 2.000 e 1.900 km.

Pelos padrões da International Union of Railways, organização com sede em Paris, a alta velocidade corresponde a mais de 200 km/hora.

Entre os dez mil km em construção na China destaca-se a linha Pequim-Xangai, com 1.318 km, uma empreitada que no ano passado empregava cerca de 110.000 trabalhadores e cuja abertura está prevista para 2012.

A viagem entre as duas principais cidades do país passará a demorar menos de cinco horas, metade do tempo atual.

He Huawu prevê que “num futuro próximo, a rede chinesa de alta velocidade atingirá 50.000 km de extensão, ligando todas as cidades com mais de 500 mil habitantes”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

TAV Shanghai-Hangzhou entra em funcionamento

26/10/2010 - China Radio International

Às 9h de hoje (26), dois trens-bala "Harmonia" da nova geração do modelo CRH 380 A, fabricados pela China, partiram de Shanghai e Hangzhou. Assim, o trem-bala Shanghai-Hangzhou entrou oficialmente em funcionamento. A China já se encontra em uma posição pioneira na área de ferrovias de alta velocidade no mundo.

O trem-bala Shanghai-Hangzhou começou a ser construído no dia 26 de fevereiro de 2009. A 350 km/h, o trem faz o percurso de 202 quilômetros entre Shanghai a Hanzhou em apenas 45 minutos, ou seja, 33 minutos a menos que o trem comum.

O Delta do Rio Yangtze é a região com grande fluxo de pessoas, rápido crescimento econômico, maior volume econômico, e maior potencial de desenvolvimento na China. A capacidade dos trens atuais e dos ônibus já não consegue atender as necessidades cada vez maiores do desenvolvimento socioeconômico na região.

O vice-diretor permanente do Birô de Ferrorias de Shanghai, Wang Feng, disse que o trem-bala é o projeto-chave do Planejamento da Rede Ferroviária de Médio e Longo Prazo da China, que vai aliviar a pressão do transporte no corredor Shanghai- Hangzhou. Para Wang, a construção de uma rede de transportes moderna no Delta do Rio Yangtze vai promover o desenvolvimento completo na região.

"O modelo de transporte que utilizamos em Shanghai e Hangzhou já não é interurbano. Por isso a construção de um corredor industrial entre Shanghai e Hangzhou é de suma importância."

Nos últimos cinco anos, a construção do trem-bala da China registrou um grande êxito, algo que outros países levaram dezenas de anos para realizar. Atualmente, são 7.431 quilômetros de ferrovias em funcionamento no país. A China já se tornou o país com a tecnologia mais avançada e de maior escala de construção de trens-bala, possuindo a maior malha ferroviária e trens mais rápidos no mundo.

O engenheiro chefe do Ministério das Ferrovias da China, He Huawu, explicou as tecnologias avançadas da China nesta área, citando o exemplo da linha Beijing-Tianjin, primeira linha de trem-bala da China.

"A China é pioneira mundial na área de construção de trens-bala de boa qualidade e tecnologia avançada. O trem-bala Beijing-Tianjin chega a 350 km/h, o mais rápido no mundo. Além disso, a tecnologia utilizada na estrutura de trilhos e construção de comboios é também a mais avançada."

O trem-bala já faz parte da vida cotidiana dos chineses. Esta tecnologia traz conveniência às pessoas que sempre viajam de uma cidade para outra. Para He Huawu, o trem-bala possui muitas vantagens em comparação aos outros tipos de transporte.

"O trem-bala é como um trem comum, porém é mais confortável, estável e seguro. Por outro lado, os funcionários podem conduzir o trem com melhor eficiência."

A linha de trem-bala entre Beijing e Shanghai, ainda em construção, possui 1.318 quilômetros e é mais comprida, além de possuir normas bastante rigorosas. Esta obra será outro marco na história de trens-bala no mundo.

Até o final de 2012, a China contará com 13 mil quilômetros em linhas de trem-bala. A viagem de Beijing para a maioria das capitais das províncias do país não vai ultrapassar de 8 horas.

Nos últimos anos, muitos países têm manifestado o desejo de cooperar com a China na área de construção de trens-bala. Desde 2003, o país já assinou mais de 30 acordos cooperativos bilaterais com Estados Unidos, Rússia, Brasil e outros países.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

China desenvolve TAV com velocidade superior a 500 km

19/10/2010 - China Radio International

A China está desenvolvendo o super trem-bala com a velocidade superior a 500 km/h, revelou hoje (19) o engenheiro-geral do ministério da Ferrovia, He Huawu.

O país possui 337 trens de alta velocidade em operação. Em 28 de setembro, a China testou o trem-bala de nova geração modelo CRH-308, que liga Shanghai a Hangzhou. A máxima velocidade do veículo atingiu 416,6 km/h, a maior do mundo.

Até o final de setembro, a China tinha uma malha ferroviária de alta velocidade com 7.050 quilômetros e 10 mil quilômetros de linhas em construção. As duas somas juntas fazem da China o país com maior capacidade e tecnologia mais avançada em trens-bala.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Suíça celebra fim da perfuração do túnel mais longo do mundo

15/10/2010 - Transporte Idéias

Engenheiros suíços que estão construindo o túnel mais longo do mundo perfuraram nesta sexta-feira a última parede de rocha. Com 57 quilômetros de extensão, o túnel fica sob o maciço de Gotthard, a 2.000 metros abaixo da terra.

Os trabalhos demoraram 15 anos para ficar pronto, mas o túnel só vai começar a operar em 2017. Mais de 300 trens passarão pelo local por dia, reduzindo o volume de dezenas de milhares de toneladas de cargas que atravessam os Alpes. Os trens de passageiros vão circular a uma velocidade de 250 km/h, e as composições de carga atingirão 160 km/h, o dobro da velocidade atual.

“Aqui, no coração dos Alpes Suíços, se tornou realidade um dos maiores projetos de meio ambiente”, declarou o ministro dos Transportes, Moritz Leuenberger.

Mais de 13,5 milhões de metros cúbicos de rocha foram retirados para abrir o túnel. Cerca de 2.500 pessoas trabalharam na obra e oito morreram, em acidentes. O túnel de Gotthard, cujo custo já ultrapassou os 7,5 bilhões de euros, desbancará o túnel de Seikan (53,8 km), que une as ilhas de Honshu e Hokkaido, no Japão, como o mais longo do mundo.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Carro elétrico terá grande teste na França

4/10/2010 - Valor Econômico

Ao longo das últimas décadas, o palácio de Versalhes tem levado milhões de turistas a Yvelines, região no centro norte da França, a menos de 30 quilômetros de Paris. A partir de janeiro, outra atração, mas ser ralação com o passado da França, e sim com o futuro, fará de Yvelines novamente centro de interesse mundial. Um grupo de pequenas cidades da região se transformará num laboratório do carro elétrico, o primeiro do gênero.
     
O automóvel com motor movido 100% a eletricidade será testado pelo consumidor. Durante um ano e meio - de janeiro de 2011 a julho de 2012 - os veículos circularão, sob o comando de usuários comuns, que farão os trajetos do trabalho ou lazer. Serão testados não apenas o veículo e toda a estrutura dos pontos de recarga, como também avaliadas as queixas e preferências do consumidor, além de falhas no sistema ou acertos necessários para atender a legislação do trânsito.

Cem automóveis elétricos vão se integrar à paisagem de uma região de pequenas cidades, chamada de Seine Aval, em Yvelines. Oitenta veículos da Renault - modelo sedã Fluence e o utilitário Kangoo - e 20 do modelo Leaf, da Nissan.
     
Além do grupo Renault-Nissan, participam do projeto a EDF, companhia de energia francesa, a Schneider Electric, produtora dos equipamentos para as estações de recarga, e a Total , principal distribuidora de combustível, que tem interesse em instalar estações de recarga também em postos tradicionais, além do governo de Yvelines e a ADEME, um órgão federal ligado ao Ministério do Meio Ambiente da França. Os investimentos no programa totalizarão € 23 milhões, dos quais, € 11 milhões da Renault-Nissan.
       
Dos 100 veículos que vão para as ruas, 15 serão usados por motoristas particulares e 85 por motoristas profissionais.
     
"Se conseguirmos provar que o carro elétrico é confiável, o motorista deixará de ficar tão ansioso com a questão da autonomia, o que mais o perturba", afirma Ziad Dagher, responsável pelo programa de experimentação dos veículos elétricos da Renault e coordenador do Save (Seine Aval Véhicules Electriques).
     
Segundo Dagher, a região chamada de Seine Aval, que significa o curso do rio Sena, foi escolhida por ser uma área de interesse nacional, onde há expectativa de promover o desenvolvimento econômico. Além disso, ali fica Flins, cidade onde a Renault construiu uma fábrica de baterias e onde será produzido o ZOE, o próximo elétrico da marca francesa, o primeiro que permitirá o sistema de recarga rápida (que permite a simples troca de uma bateria descarregada por outra carregada).
     
Dagher, um executivo de 33 anos formado em direito e com experiência em projetos ambientais, envolveu-se em uma série de questões que tiveram de ser resolvidas antes do lançamento do programa. Isso inclui negociações para que o parlamento francês criasse uma lei para permitir que o morador de um prédio possa instalar tomadas em sua vaga de garagem sem ter que pedir autorização ao condomínio.
     
São muitos detalhes, que foram surgindo ao longo de dois anos e meio, desde que surgiu a ideia do laboratório. A Toyota já havia feito uma experiência parecida na Europa usando o Prius Plug-in, que é o modelo híbrido que pode ser carregado também na tomada.
     
A infraestrutura é o que mais preocupava. Foram instalados 300 pontos de recarga em toda a região, que abrange diversas cidades com cerca de 30 mil habitantes ou menos cada uma. A população de toda a região soma mais de 300 mil.
     
Dos 100 veículos que vão para as ruas, 15 serão usados por motoristas particulares e 85 por motoristas profissionais. Nesse grupo já foram acertadas algumas parcerias, como a empresa de correios da Franca (La Poste). Os próprios funcionários da EDF usarão os carros para os trabalhos de manutenção.
     
Inicialmente estavam previstos motoristas de taxi. Mas esses profissionais não quiseram participar da fase de testes que prevê ter de esperar pelo menos 20 minutos para recarregar a bateria. Sob o argumento de que poderia perder uma corrida valiosa, os taxistas declinaram do convite, comprometendo-se a participar quando os testes forem como tipo de recarga rápida. Nesse tipo, o motorista simplesmente vai parar sobre uma plataforma, onde um equipamento fará a troca da bateria descarregada por uma cheia. Nesse sistema, que durará entre três e cinco minutos, baterias de uso comum vão circular entre a frota de veículos.
     
Mas, por enquanto, há duas opções: carregar na tomada de casa, durante sete horas, que deverá ser muito usada à noite, enquanto o condutor dorme, ou a mais rápida, de 20 minutos. É aí que entram os postos de recarga. O projeto em Seine Aval incluirá estacionamentos e supermercados. Nesse caso, a vantagem é deixar a bateria carregando enquanto se fazem as compras. Resta saber, porém, que procedimentos tomar quando o consumidor se estender por tempo além do necessário dentro do supermercado. "Porque nesse caso o uso do espaço acaba saindo mais caro que o custo da própria energia", afirma Dagher. Falta ainda fixar pontos de abastecimento públicos, nas ruas.

Cada veículo terá um software, que enviará para a central de comando os dados, como a frequência às estações de abastecimento rápido. A autonomia de um veículo elétrico chega a 160 quilômetros. Mas, há uma outra questão que a indústria precisa resolver: o uso do ar condicionado. Como o equipamento será abastecido pelas mesmas baterias que fazem o carro se mover, quanto mais o motorista quiser esquentar ou esfriar o ambiente, menos quilômetros ele vai poder percorrer.
     
Os motoristas vão, nos próximos dias, receber kits com instruções. Serão assinados compromissos de uso. E cada um receberá telefones de emergência para chamar em caso de pane ou outra dificuldade - vale aí chamar até em caso de ficar parado no meio da rua por ter se atrapalhado com o tempo restante de bateria. Serão criados blogs para que os usuários tenham um canal para registrar relatórios.
     
O projeto não se limita à França. Há projetos em andamento na Dinamarca, Itália e Alemanha. No caso, os testes incluirão regiões de fronteiras.
     
Na França, indústria e poder público correm para homogeneizar normas e infraestrutura para receber o carro elétrico. Jean-Marc Sarret, responsável pela área de comunicação da tecnologia no grupo PSA Peugeot Citroën, lembra que o plano francês é ter 50 mil pontos de recarga (públicos ou privados em 2011 e 150 mil no ano seguinte. A montadora pretende vender os primeiros 8 mil veículos elétricos já em dezembro. A marca Peugeot desenvolveu até a alternativa de aluguel de carros elétricos, ao custo de € 500 por mês, incluindo a assistência técnica. "Um carro elétrico precisa ser usado intensamente porque o custo de aquisição é alto enquanto o custo do uso é baixo", afirma Sarret.
     
Para Sarret, em razão disso, nos primeiros anos do carro elétrico, 90% dos compradores deverão ser pessoas jurídicas. Com o tempo, com a queda do preço, esse volume deverá cair para 70%. Para Dagher, o tempo que o carro elétrico levará para se transformar num veículo de massa depende do que vai acontecer nos oito primeiros anos. Esse é o tempo médio de uso dos carros na França. Para o executivo, o salto de demanda virá a partir da credibilidade do produto somada a um tempo maior de comportamento dos preços do petróleo.