sexta-feira, 24 de outubro de 2014

TAV entre NY e Washington está em debate nos EUA

23/10/2014 - The New York Times

Um grupo de investidores de Washington apoiado por políticos do alto escalão e US$ 5 bilhões em compromisso de investimento por parte do governo japonês está avançando sua visão de um trem de alta velocidade que poderia levar os passageiros de Nova York a Washington em cerca de uma hora.

O trem, que emprega uma tecnologia conhecida como levitação magnética, ou maglev, para flutuar sobre os trilhos usando ímãs em vez de rodas, poderia alcançar o dobro da velocidade do Acela, da Amtrak. Este é um dos muitos projetos de ferrovia de alta velocidade propostos para o corredor nordeste, de tráfego pesado, onde os congestionamentos e atrasos nos voos devem piorar.

De acordo com os críticos, uma ferrovia maglev na Costa Leste ao custo total de US$ 100 bilhões é pouco mais do que um sonho. Mas isso não impediu os investidores de promoverem a ideia.

Na terça feira, numa pista de testes japonesa, um protótipo de trem transportou um grupo de visitantes americanos pelas montanhas a uma velocidade máxima de 505 km/h - tão rápido que Christie Todd Whitman, ex-governadora de Nova Jersey e integrante do grupo, disse que as viagens entre Washington e Nova York via Amtrak eram "constrangedoras" em comparação.
Para Christie, o trem é uma solução para os problemas de transporte no seu país, onde o Acela - o trem mais rápido dos Estados Unidos - leva 2 horas e 45 minutos para viajar de Nova York a Washington.

A ex-governadora faz parte de um poderoso conselho da Northeast Maglev, uma empresa de capital fechado com sede em Washington que tem a meta de construir a linha Nova York/Washington. O grupo, que faz visitas frequentes ao Japão para desenvolver o projeto e já fez pelo menos três passeios de testes no trem, busca convencer os céticos legisladores e investidores nos EUA e mostrar os benefícios financeiros e políticos do maglev.

O conselho inclui o ex-governador de Nova York, George E. Pataki; Tom Daschle, ex-líder da maioria no senado, que também estava a bordo do trem japonês na terça feira; o ex-governador da Pensilvânia, Edward G. Rendell; e Mary Peters, que foi secretária dos transportes durante a presidência de George W. Bush. Desde 2010, o grupo gastou US$ 1,4 bilhão em lobby no congresso, reunindo-se com funcionários dos governos estaduais e locais para consolidar o apoio ao projeto.

Na tentativa de conquistar apoio público, o grupo conta com compromisso de investimento de aproximadamente Us$ 5 bilhões por parte do governo japonês, para financiar parte da construção do primeiro trecho, entre Washington e Baltimore, a um custo estimado de US$ 10 bilhões. Com o maglev, a viagem entre as duas cidades seria feita em 15 minutos.

Mas ainda há obstáculos. Dado o custo do projeto, a empresa responsável pelo maglev precisaria da ajuda do governo federal, mas os defensores do setor dos transportes dizem que esse auxílio não deve ser anunciado. E a Associação Americana de Ferrovias de Alta Velocidade, que defende sistemas ferroviários de alta velocidade mais convencionais, descartou o maglev por ser demasiadamente caro e experimental.

Além disso, a operadora do maglev teria que obter o direito de construir os trilhos especiais em alguns dos terrenos mais caros dos EUA, um monumental empreendimento financeiro. A empresa planeja construir boa parte da rota no subterrâneo, aumentando ainda mais o custo.
Mas Wayne Rogers, que investe em energia renovável e outros projetos e atua como diretor executivo da Northeast Maglev, disse que o trem é uma alternativa mais sensata do que as propostas atuais para resolver os problemas de transporte no Noroeste, incluindo a construção de mais trilhos e a adaptação da malha já existente para tornar os trens da Amtrak mais rápidos. Aumentar o número de estradas na região só faria aumentar o congestionamento, disse ele.

Quanto à adaptação da malha para aumentar a velocidade dos trens da Amtrak, "É como colocar uma Ferrari na congestionada via Beltway em torno de Washington: não vai andar mais rápido", disse Rogers.

Outro defensor do maglev, James P. RePass, presidente da National Corridors Initiative em Boston, que apoia um maior investimento federal e privado nos projetos ferroviários, disse que sua reação inicial ao projeto foi o ceticismo, mas mudou de ideia.

"Se me perguntasse dois anos atrás, minha resposta teria sido, 'nem pensar'", disse RePass. "Mas essa proposta, que parecia improvável no passado, está ganhando credibilidade. A razão disso é o dinheiro disponível, que diferencia o projeto dos demais." Daschle, que comanda o conselho da Northeast Maglev, descarta as preocupações com a tecnologia maglev.

"a base do ceticismo não pode mais ser o aspecto tecnológico, pois seu funcionamento já foi comprovado", disse ele depois da viagem de trem.

Rogers disse que a empresa estava avançando seus planos: uma solicitação de transferência dos direitos de franquia da extinta ferrovia Washington Baltimore & Annapolis para a Northeast Maglev foi feita à Comissão de Serviço Público de Maryland, o primeiro passo para o início do projeto.

A empresa vai precisa também da aprovação do Conselho de Transportes de Superfície e da Administração Federal das Ferrovias. Sem a transferência dos direitos de franquia, a empresa terá de solicitar à Assembleia Geral de Maryland a aprovação de um novo acordo de franquia, processo que pode consumir anos.

"Não podemos esperar até que as condições políticas e financeiras sejam perfeitas", disse Rogers. "A infraestrutura de transportes do Corredor Nordeste está em mau estado. Precisamos começar a agir." /Tradução de Augusto Calil 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Maior veículo elétrico do mundo tem capacidade para 120 passageiros

18/10/2014 - O Estado de SP

O maior veículo elétrico movido à bateria do mundo, um ônibus articulado com espaço para 120 pessoas, foi lançado nesta segunda-feira, 13, durante uma feira de transportes públicos em Houston, Texas, nos Estados Unidos. O veículo possui 18,9 metros de comprimento e é criação da BYD, empresa chinesa especializada em veículos elétricos e híbridos.

"The Lancaster" foi o nome dado ao veículo, em homenagem à cidade onde foi projetado e fabricado, na Califórnia. Ele é o primeiro ônibus elétrico articulado dos Estados Unidos. Sua bateria de fosfato de ferro-lítio, à prova de fogo e reciclável, tem autonomia de mais de 170 quilômetros.

O ônibus, que estava em desenvolvimento há quase dois anos, foi apresentado durante a Expo APTA, feira de transportes públicos realizada entre os dias 13 e 15 deste mês pela Associação Americana de Transporte Público.

Brasil. A BYD inaugurou uma fábrica de ônibus elétricos em Campinas em 14 de julho deste ano. A montadora investiu cerca de R$ 250 milhões na construção do empreendimento, a sua primeira fábrica na América do Sul.

Havia a expectativa de que em abril deste ano fosse criado um incentivo pelo Governo Federal para os carros elétricos, que não emitem poluição, e híbridos, que são equipados com um motor a combustão e um elétrico, mas o projeto não foi efetivado. O plano era zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado sobre estes tipos de veículos. Hoje o IPI é de 25%.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Como será a primeira cidade 100% sustentável do planeta?

08/10/2014 - Embalaweb

Ela empregará apenas energias renováveis, reutilizará todo o lixo que produz, terá apenas transporte público (movido a eletricidade) e neutralizará toda a sua emissão de gás carbônico. Parece sonho, mas está virando realidade desde 2008, em um deserto nos Emirados Árabes Unidos, a 30 km da capital, Abu Dhabi

Por enquanto, Masdar (fonte, em árabe) é apenas um canteiro de obras em torno de seis prédios e uma universidade, mas, até 2030, quando ficar pronta, seus 6 km2 abrigarão 40 mil pessoas e apenas empresas não poluidoras. O custo do projeto será de cerca de US$ 22 bilhões.

URBANISMO ECOLÓGICO

Movida a sol e vento

Como a região recebe quase 12 horas diárias de sol, usinas solares com imensos painéis foram distribuídas estrategicamente ao redor do empreendimento. Uma torre de energia eólica de 45 m (o equivalente a um prédio de 15 andares) captará as correntes de ar frio e também informará aos moradores a quantidade de energia consumida no dia.

O pedestre é rei

Todos os veículos serão públicos, elétricos e automatizados e só circularão no subsolo. Por meio de totens eletrônicos, qualquer um poderá solicitar um carro para até quatro pessoas. Aí, é só digitar o endereço de destino no computador de bordo. Haverá também transporte coletivo em trilho suspenso, com partidas rumo a Abu Dhabi a cada meia hora.

Vá pela sombra

Quem planeja uma cidade do zero tem a vantagem de poder "mexer" nos seus elementos climáticos. Para aproveitar a brisa do deserto, Masdar será erguida sobre uma elevação de 7 metros. E, para evitar a incidência do sol escaldante da região, as ruas serão estreitas, potencializando a canalização do vento e a formação de sombras.

Coração e cérebro

A obra está crescendo em torno do Instituto de Ciência e Tecnologia, um prédio de 163 mil m2, que abriga um braço do aclamado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) dos EUA. Ela reúne pesquisadores e professores interessados em aprimorar as soluções de sustentabilidade. Já conta com 337 estudantes de 39 países (incluindo brasileiros).

Prédios espertos

Até a arquitetura dos prédios é controlada. Eles terão design inteligente, altura máxima de 40 metros e painéis solares no telhado. Elementos estruturais como madeira certificada e paredes duplas facilitarão o isolamento térmico. Serão abastecidos com água do mar da Arábia dessalinizada, reaproveitada após o uso.

Projeto com grife

O projeto urbanístico, encabeçado pelo famoso arquiteto inglês Norman Foster, inclui estações de tratamento de água e esgoto e centros de reciclagem. As diversas áreas arborizadas darão preferência a espécies que produzem biocombustíveis. A praça central terá toldos que vão abrir e fechar ao longo do dia, de acordo com a temperatura.

Polo corporativo

Uma das razões para os Emirados construírem Masdar é "limpar a consciência": atualmente, o país depende muito do petróleo abundante em seu território e tem uma das maiores taxas per capita de consumo de energia. A cidade pretende atrair até 1.500 empresas sustentáveis com um pacote de incentivos. General Electric, Mitsubishi e Siemens já estão confirmadas.

A terra há de comer

Masdar já recicla 86% dos resíduos da própria construção. A madeira é picada e aplicada em áreas ajardinadas e o concreto é moído e reutilizado no preenchimento do solo. Para restos orgânicos, a comunidade terá usinas públicas de compostagem, cujo adubo será usado nas áreas verdes. Moradores também receberão composteiras domésticas.

Fontes: Sites BBC, EXAME, Masdar e Foster and Partners

 

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os segredos das cinco cidades mais saudáveis do mundo para se morar

05/10/2014 - BBC

Todo ano, diferentes consultorias, jornais e revistas fazem listas das cidades mais saudáveis para se viver no mundo.

Os rankings levam em consideração fatores como saúde pública, sistema de transporte e áreas verdes.

Cinco destas cidades são recorrentes em todas as listas. Mas qual é o segredo delas? Por que seus moradores têm vidas mais saudáveis do que em outros lugares?

Abaixo, a BBC analisou os diferenciais destas cinco "cidades saudáveis".

Cingapura: saúde pública e leis duras contra poluição

A cidade tem um dos menores índices de mortalidade infantil do mundo.

A expectativa de vida é a quarta maior do planeta: 84,07 anos.

Usado por 80% dos moradores, seu sistema público de saúde é um dos mais elogiados do mundo.

Não é totalmente gratuito, mas muitos dos preços são compatíveis com as rendas dos moradores.

A cidade é bastante rígida nas suas leis ambientais. Há penas duras até mesmo para quem cospe ou joga lixo no chão.

Também conhecida como "Cidade Jardim", Cingapura é um paraíso para quem ama a natureza.

Uma rede chamada Park Connector Network liga 200km de caminhos por meio de parques e jardins.

As ruas da cidade são constantemente usadas para maratonas e eventos de ciclismo.

A cidade adotou até mesmo uma série de medidas contra a especulação imobiliária.

Estrangeiros são proibidos de comprar casas ou apartamentos. Só podem alugar.

Também há vários impostos que impedem que os índices de aumento dos preços de imóveis aumentem por causa da especulação.

Tóquio: transporte limpo e bons hábitos

A cidade tem um dos sistemas de transporte mais eficientes e ecológicos do mundo.

O sistema transporta três milhões de pessoas por dia na região metropolitana, mas, ainda assim, Tóquio têm menos emissões de gás carbônico que a maioria das cidades asiáticas.

A emissão per capita de CO2 em Tóquio é de 4,89 toneladas - em Pequim, esse índice é de 10,8 toneladas.

A alta expectativa de vida na cidade - 84,19 anos - é beneficiada pelo bom sistema de saúde japonês e pelos hábitos saudáveis do país, como uma dieta baseada em peixes, vegetais e arroz.

Os preços de propriedades têm subido bastante na cidade, em parte por causa dos estímulos econômicos dados pelo governo.

Mas também já existe especulação imobiliária por conta das Olimpíadas de 2020, que serão realizadas aqui.

Perth: esporte perto de casa

Entre 1998 e 2009, o número de ciclistas em Perth, na Austrália, aumentou em 450%.

Todas as estações de metrô receberam estacionamentos de bicicletas, e o costume local é ir desta forma até o metrô, para depois seguir viagem até o trabalho.

A cidade tem uma vocação natural para esportes e atividades ao ar livre, devido ao clima sempre ameno e às praias no Oceano Índico.

Em outubro do ano passado, a agência de saúde do governo lançou um plano especial para permitir que moradores de Perth possam achar atividades esportivas em parques perto de sua casa.

Copenhague: ciclismo e 'neutralidade' de carbono

Ciclismo e emissões de carbono também são o segredo da capital dinamarquesa.

A cidade tem um plano de ser a primeira capital "neutra em carbono" até 2025, ou seja, uma cidade que consegue contrabalançar todas as suas emissões de carbono, seja comprando créditos de carbono ou tomando medidas para tirar carbono do ar.

Um dos trunfos da cidade foi conseguir reduzir em 20% suas emissões de gases nocivos ao ambiente desde 2005, graças a um planejamento do governo.

A cidade tem 400km de ciclovias, e 50% de seus moradores usam bicicletas, mesmo em épocas de frio e chuva.

Mônaco: riqueza e... mais riqueza

É quase injusto comparar qualquer cidade do mundo ao principado na riviera francesa, a 15km da cidade de Nice.

Mônaco possui a maior concentração de milionários e bilionários per capita do mundo.

Isso também contribui para que Mônaco tenha a maior expectativa de vida do planeta: 89,6 anos. O sistema de saúde é caro, mas quase todos podem pagar.

Com apenas 2km², Mônaco é também o país com maior densidade de população do mundo.

Com tantos recursos, sobra dinheiro para se investir em ecologia, uma das bandeiras do Príncipe Albert 2.

Os órgãos do governo usam carros elétricos, e todas as conferências realizadas em hotéis de Mônaco são neutras em carbono.

Sonho da cidade 100% sustentável é adiado

05/10/2014 - O Dia - RJ

Masdar — no meio do deserto nos Emirados Árabes Unidos — pretende ser a primeira cidade do mundo com emissão zero de poluição, 100% sustentável. Pelo menos foi este o anúncio, em 2006, quando o projeto de 22 bilhões de dólares do superescritório de arquitetura britânico Foster + Partners foi lançado pelo governo do país do Golfo Pérsico. A crise econômica, porém, adiou o sonho de 2016 para pelo menos 2030, publicou a imprensa internacional.

Equipes de sites estrangeiros, como Co.Exist, visitaram Masdar — que, a 30 km de Abu Dhabi, capital dos Emirados, abriu parte de seu território para receber ecoturistas e, com isso, arrecadar verbas. O que os repórteres verificaram é que a cidade verde por enquanto é uma cidade fantasma. "Andando por lá, verificam-se construções desertas. Alguns estudantes, provavelmente apenas uma centena, parecem perdidos", publicou o site. Além de um grande canteiro de obras, Masdar hoje tem somente seis prédios e uma universidade, em 6 km².

Gerard Evenden, diretor de design da Foster + Partners, disse à 'Business Reporter' que a crise — que comprometeu a compra de material de construção — não fará o sonho virar areia. "É muito mais do que construir uma ecocidade. É um projeto mais sério, que faz questionamentos sobre o futuro da vida sustentável e o que pode ser feito em termos de tecnologia verde. A ideia de Masdar é olhar para a Ciência por trás de tudo isso".

Segundo analistas, uma das razões para os Emirados construírem Masdar é "limpar a consciência": o país depende do petróleo abundante em seu território e tem uma das maiores taxas de consumo de energia. Masdar quer atrair até 1.500 empresas sustentáveis com incentivos. Mitsubishi e Siemens já toparam.

Energia solar, carro elétrico e água dessalinizada

A ideia é que Masdar (Fonte, em árabe) empregue apenas energias renováveis, reutilize todo o lixo que produz e neutralize toda a sua emissão de gases poluentes, que causam o aquecimento global. O sistema de transportes é um capítulo à parte. Todos os veículos serão públicos, elétricos e automatizados, e só circularão no subsolo. Por meio de totens eletrônicos, os cidadãos poderão chamar um carro para até quatro pessoas, em que o endereço é digitado num computador de bordo. Haverá ainda transporte coletivo em trilho suspenso, que farão a ligação entre Masdar e Abu Dhabi a cada meia hora.

Os prédios terão altura máxima de 40 metros e painéis solares no telhado. Madeira certificada e paredes duplas facilitarão o isolamento térmico. Água dessalinizada do mar da Arábia vai abastecer a cidade.