terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Custo da poluição é subestimado no PIB

13/01/2015 - O Globo

Desenvolver a economia à base de poluentes tem um preço. E a conta foi subestimada pelo governo americano, segundo um novo estudo da Universidade de Stanford. O Escritório de Administração e Orçamento dos EUA avaliou que, em 2015, liberar uma tonelada de gás carbônico para a atmosfera provocaria um gasto de US$ 37. No entanto, o levantamento recémdivulgado traz um valor quase seis vezes maior: US$ 220.

O índice, chamado custo social do carbono, é o preço estimado dos danos causados por cada tonelada de CO2 liberada na atmosfera. Quanto maior ele é, mais políticas contra as mudanças climáticas são criadas pelos governos. Por isso os pesquisadores se preocupam com o baixo valor divulgado pela Casa Branca — seria um sinal de que o crescimento econômico americano não será acompanhado por programas de combate às alterações da temperatura global.

Professora da Escola de Ciências da Terra de Stanford, Frances Moore destaca que os impactos econômicos das mudanças climáticas podem ser mais onerosos para a sociedade do que o previsto, já que teriam um choque permanente no PIB dos países.

— O modelo oficial afirma que as mudanças climáticas não afetam a taxa de crescimento econômico, mas novos estudos sugerem que isso não é verdade — acusa Frances, coautora do estudo. — As mudanças climáticas afetam não só a produção econômica de um país, mas também o seu crescimento. Há, então, um efeito permanente, que se acumula ao longo do tempo, levando a um custo social muito maior do carbono.

Para Frances, a comunidade internacional precisa assinar um acordo que evite que o crescimento econômico seja realizado a qualquer custo. Do contrário, o planeta assistirá ao sacrifício de elementos que garantem os recursos básicos para a economia mundial, como o índice de pluviosidade e a fertilidade do solo. Políticas de mitigação mais ambiciosas também evitariam eventos extremos, como enchentes e terremotos, que arrasam por anos a economia de uma região.

Coautora do estudo, Delavane Diaz considera "limitada" a definição americana do impacto do CO2 na economia.

— As estimativas consideram setores como agricultura, demanda de energia, recursos hídricos, saúde humana e ecossistemas, entre outros — enumera a pesquisadora de Gestão de Ciência e Engenharia de Stanford. — No entanto, os custos de cada uma destas categorias são efêmeros, em comparação com as mudanças climáticas.

As pesquisadoras admitem que o levantamento ainda precisa ser melhorado. Seu cálculo considera problemas que as mudanças climáticas podem desencadear a médio prazo, mas não o tempo necessário para o desenvolvimento de novas fontes de energia sustentável.

O papel dos países em desenvolvimento também é uma incógnita. Faltam dados para saber como o aumento do custo do carbono beneficiaria as nações mais pobres.

— Em um país pobre, as políticas de mitigação demoram mais para fazer efeito — cogita Frances. — A carência de infraestrutura aumenta sua vulnerabilidade às mudanças climáticas. No entanto, se houver investimento, eles enriquecerão e terão instrumentos para se defender de eventos extremos.

Luiz Serrano, especialista em finanças ambientais e economia de baixo carbono, considera que o estudo corrobora a necessidade de investimentos em mitigação, inclusive pela iniciativa privada.

— No mundo empresarial, as mudanças climáticas devem ser incorporadas na avaliação de riscos e oportunidades de um negócio — ressalta Serrano, gerente de negócios da empresa de soluções sustentáveis KeyAssociados. — No ambiente público, mais ainda, pois pode impactar na geração de dívidas, nos projetos nacionais e em temas relevantes para a população.

COLAPSO DAS NEGOCIAÇÕES

Enquanto os EUA subestimam o investimento em políticas sustentáveis, Todd Stern, enviado especial do país para mudanças climáticas, declarou ontem que teme o colapso das conferências do clima (COPs), caso o próximo encontro, no fim do ano, em Paris, não seja bem-sucedido. Para ele, isso faria os países desistirem de um acordo que unisse todos os governos. Diversos órgãos globais, como o G20 e o FMI, já discutem o tema, mas apenas as COPs têm poder para estabelecer decisões globais.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Conheça os 14 trens mais rápidos do mundo

03/09/2014 - 

Enquanto o Brasil sonha em ter (de volta) uma malha ferroviária decente, muitas ligações sobre trilhos operam em várias partes do mundo. As composições podem atingir mais de 500 km/h, e muitas vezes são uma opção mais viável que o transporte aéreo. O site Travel and Leisure listou os sistemas mais rápidos. A publicação destaca apenas as linhas que estão operacionais:

1. Trem Maglev Xangai, China

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A linha liga o Aeroporto Internacional de Pudong à estação de metrô de Longyang Road, o Trem Maglev opera a mais de 430 km/h. Com um moderno sistema de levitação magnética, consegue atingir a impressionante marca de 500 km/h, mais veloz do que um carro de Fórmula 1.

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2. CRH380, China

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Em menos de uma década, a China desenvolveu uma incrível rede de trens de alta velocidade, que se estende por quase 10 mil km, transportando cerca de meio bilhão de passageiros por ano. O trem CRH380, em suas diferentes versões, é capaz de atingir velocidades de até 450 km/h em suas quatro rotas que passam por cidades como Pequim, Xangai, Nanjing e Guangzhou.

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3. ICE 3, Alemanha

A Alemanha produz alguns dos trens mais velozes do mundo, mas sua própria rede de ferrovias de alta velocidade nasceu relativamente tarde na Europa. Hoje, o atraso está sendo compensado rapidamente: o InterCity Express (ICE3) corre entre Franfkurt e Colônia, no Vale do Reno, e entre Munique e Nuremberg, na Bavária, com nove linhas que atingem velocidades de até 320 km/h.

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4. Sinkansen E5, Japão
Os famosos trens-bala japoneses existem em diversos estilos e formas, mas nenhum deles é tão veloz quanto o novo Shinkansen E5. Com um curioso "bico de pato" em sua dianteira, o trem opera a até 320 km/h na linha de 670 km entre Tóquio e Aomori, no norte da ilha de Honshu.

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5. TGV POS, França
A França foi pioneira na criação de trens de alta velocidade com seu TGV que começou a funcionar em 1981. Desde então, a evolução continuou tanto nos trilhos quantos nos próprios trens. Os mais recentes sãos os TGV POS, que operam em duas linhas, no leste e no oeste da França, com velocidades que atingem 320 km/h em operações normais e até incríveis 575 km/h em testes, a maior velocidade registrada para um trem.

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6. AVE Series 103, Espanha
Trem de alta velocidade da Espanha, o serviço AVE é mais conhecido por seus trens Talgo com "bico de pato". Mas os novos Siemens Velaro Series 103 são ainda mais velozes, unindo Madri e Barcelona em 2h40, atingindo 310 km/h durante a viagem. Nas últimas décadas, a Espanha passou da fama de ter um dos piores transportes ferroviários da Europa para uma rede moderna de trens de alta velocidade que une as grandes cidades do país.

7. Sancheon KTX2, Coreia do Sul
O trem de alta velocidade Sancheon KTX2 efetua o trajeto entre Seul e as cidades portuárias de Musan e Mokpo. Construídos pela Hyundai, os trens operam a velocidades de até 305 km/h , com a capacidade de chegar a 350 km/h.

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8. ETR 500 Frecciarossa e ETR 575 AGV, Itália
A Itália oferece dois serviços de trens de alta velocidade nos mesmos trilhos: o Frecciarossa (Flecha Vermelha), público, e o Automotrice à Grande Vitesse (AGV), privado. Os trens conectam Turim, Milão, Roma, Nápoles e Veneza a velocidades maximas de 300 km/h, com recordes de 340 km/h para o Frecciarossa e 360 km/h para o AGV.
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9. Eurostar Class 373, Inglaterra, França e Bélgica
Atravessando o Canal da Mancha pelo Eurotunel, o trem Eurostar é o jeito mais prático de fazer o trajeto entre Londres e Paris. O trem opera a velocidades máximas de 300 km/h, conectando as estações de St. Pancras, em Londres, e Gare du Nord, em Paris, sem precisar ir até aeroportos distantes, nem passar por controles de segurança.

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10. 10. THSR 700T, Taiwan
Velozes e aerodinâmicos, os trens de alta velocidade TSHR de Taiwan percorrem o litoral oeste da ilha entre a capital, Taipei, e a cidade industrial de Kaohsiung. Exportados do Japão, os trens THSR 700 T levam 1 mil passageiros operando a velocidades de até 300 km/h.

THSR 700T, Taiwan

11. Afrosiyob, Uzbequistão
Primeira linha de trens de alta velocidade da Ásia Central, o Afrosiyob usa trens Talgo importados da Espanha. Os vagões que fazem o trajeto de 345 km entre Tashkent e Samarkand, ao longo da antiga Rota da Seda, atingem velocidades de até 250 km/h e estão especialmente preparados para os climas extremos do Uzbequistão.

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12. Sapsan, Rússia
O trem Sapsan une São Petersburgo a Moscou, e Moscou a Nizhny Novgorod, a uma velocidade de 250 km/h. O nome Sapsan significa "falcão" em russo, homenageando a mais veloz das aves.
Siemens Velaro RUS "Sapsan" №155 (St. Petersburg-Moscow) passing by Malino station

13. Acela Express, Estados Unidos
O trem Acela Express é o jeito mais prático de percorrer os 730 km/h entre Boston e Washington. As inovações nos trilhos prometem deixar os trens ainda mais rápidos, mas, por enquanto, a velocidade máxima nos trajetos é de 240 km/h.

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14. Yüksek Hizli Tren, Turquia
Usando trens construídos na Espanha, a linha YHT liga as cidades turcas de Ankara, Konya e Eskisehur. Mas a rede está crescendo e promete reduzir a distância entre Ankara e Istambul de sete para três horas, com velocidades de até 200 km/h.

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Com as informações de Terra 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

EUA começam a construir sua primeira linha de TAV

06/01/2015 - Exame

São Paulo - A Califórnia é o estado mais populoso dos Estados Unidos e também aquele com a maior economia - se fosse um país, ficaria logo atrás do Brasil no ranking mundial.

O estado agora será cenário para a primeira linha de trem de alta velocidade do país, que começa a ser construída hoje na futura estação da cidade de Fresno, em cerimônia transmitida ao vivo pela internet. A primeira fase, a ser concluída em um longínquo 2029, vai de Los Angeles a São Francisco, hoje a a rota aérea de pequena distância mais movimentada (e com mais atrasos) do país.

A viagem deve durar cerca de 3 horas a velocidades que chegam a 320 km/h. O preço da passagem ainda é desconhecido, mas uma projeção aponta para uma média de 83% da tarifa atual da viagem de ida de US$ 97.

O valor total do projeto é de cerca de US$ 68 bilhões - pouco mais da metade proveniente de fundos federais, com o resto vindo do capital privado e de títulos do estado.

Eventualmente, o plano é conectar com 24 estações os mais de 1.200 quilômetros entre as cidades de Sacramento e San Diego, além de modernizar as linhas já existentes .

O dinheiro não está totalmente garantido, nem todas as terras necessárias. Desde que foi proposto pela primeira vez, nos anos 80, pelo atual governador, Jerry Brown, o projeto é criticado por seu alto custo e por todo tipo de incerteza. 

Seus defensores lembram que a população do estado não para de crescer e que o congestionamento nas estradas consome US$ 18,7 bilhões da economia por ano. O custo de construir novos aeroportos e rodovias para atender à demanda crescente sairia ainda mais caro do que o VLT.

Isso sem falar nos benefícios ambientais de diminuir a emissão de gases estufa, nos 66 mil empregos diretos criados anualmente pelos próximos 15 anos e nos ganhos de eficiência com a melhora na conexão entre duas das maiores e mais ricas cidades do país.

A China, por exemplo, construiu só na última década cerca de 12 mil quilômetros em linhas de trem-bala, mais do que todo o resto do mundo somado. O plano é dobrar este número até 2020 e continuar exportando e financiando essa tecnologia para projetos em outros países.

No Brasil, o projeto de trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro está vivo no papel, mas não há nenhum indício de que será concretizado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

México reinicia licitação para projeto de trem-bala do país

05/01/2015 - CRI

O Ministério dos Transportes e Telecomunicações do México divulgou ontem (4) que vai reiniciar no dia 14 deste mês a licitação para o projeto de trem-bala entre a Cidade do México e o Estado de Querétaro.

Segundo a pasta, para uma empresa vencer a licitação tem que ter a capacidade de garantir a operação e segurança da obra, e deverá ser responsável ainda pela manutenção de cinco anos durante a operação experimental.

O ministério vai divulgar os detalhes sobre a concorrência no próprio dia 14 deste mês e o prazo para a licitação será de 180 dias.

O trem-bala entre a Cidade do México e o Estado de Querétaro terá uma distância de 210 quilômetros e a velocidade máxima desta linha será de 300 km/h. Este será o maior projeto de infraestrutura na história do México. O valor da obra chegará a US$440 bilhões.

No ano passado, um consórcio liderado pela China Railway Construction venceu a licitação, mas o país cancelou o resultado e decidiu a reiniciar o processo de concorrência para a obra, o que provocou grande dúvida no país.